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A medalha de prata conquistada por Sérgio Paulinho em Atenas'2004 é um feito único no ciclismo português e difícil de repetir nos Jogos Olímpicos Londres'2012, mas pode ser fonte de inspiração para Rui Costa, Nelson Oliveira e Manuel Cardoso.
Este trio de estreantes vai defender as cores de Portugal nas provas de estrada e o selecionador, José Poeira, espera um desempenho honroso. "Prometer medalhas é difícil, mas nada é impossível", diz. Não falte ambição, nem haja o azar de uma queda até lá, que é o seu maior receio.
"Temos de pensar que podemos ter um resultado muito bom, como já aconteceu num passado recente. Nessa altura não imaginávamos que pudesse acontecer, mas hoje pensamos que podemos aspirar a um bom resultado. É difícil, porque estamos lá nós e os outros. As corridas são sempre muito duras, trata-se de Jogos Olímpicos e toda a gente quer estar bem. Trata-se de um título, de uma medalha", disse José Poeira à Lusa.
Rui Costa (Movistar), recente vencedor da Volta à Suíça e a disputar a Volta a França, o campeão nacional Manuel Cardoso (Caja Rural), a correr a Volta à Polónia, e Nelson Oliveira (RadioShack) estarão entre os 145 ciclistas que vão enfrentar os 250 quilómetros da corrida de fundo, a 28 de julho. Quatro dias depois, a 1 de agosto, Nelson Oliveira volta à estrada para disputar o contrarrelógio individual (44 km), que terá 40 corredores. O técnico só quer que o façam "com a ambição de conseguir ganhar ou fazer um bom resultado".
Numa prova em que os conjuntos mais numerosos têm cinco elementos, José Poeira diz há boas perspetivas para equipas como a portuguesa, "tendo alguns corredores com qualidade e talento, mas também porque o controlo da corrida por parte das grandes potencias não é muito eficaz", como sucedeu em Atenas, quando o italiano Paolo Bettini e Sérgio Paulinho escaparam e ninguém se conseguiu organizar na perseguição.
O traçado da corrida olímpica, que tem partida e chegada no centralíssimo The Mall, em frente ao Palácio de Buckingham, e se estende para a zona oeste, desenvolve-se em três fases: cerca de 65 quilómetros planos, um circuito de 16 quilómetros, com uma ligeira subida de três quilómetros, a percorrer nove vezes, e mais 40 quilómetros a rolar até à meta.
"O que fizemos foi jogar com mais de uma possibilidade. No caso de chegar ao sprint, temos um sprinter [Manuel Cardoso], que ganha corridas lá fora, junto com corredores de nível, e no caso de se fracionar, temos corredores como o Rui Costa e próprio Nelson, que passa bem subidas daquelas", explicou o selecionador.
José Poeira diz que há equipas que vão apostar na chegada ao sprint, como a anfitriã Grã-Bretanha, procurando que Mark Cavendish junte o ouro olímpico ao título mundial, ou a Bélgica, empenhada na vitória de Tom Boonen. Outros vão tentar desmembrar o pelotão para evitar o final compacto e, nesse caso, conta com a "boa leitura de corrida" de Rui Costa.
Para o contrarrelógio, o técnico espera que venha ao de cima o "talento" de Nelson Oliveira, que foi vice-campeão do Mundo de sub-23 em 2009 e quarto em 2010. "No ano passado no campeonato do Mundo [de Elite] ficou muito próximo dos 10 primeiros (17.º), sendo na realidade um sub-23, mas cada ano que passa ele está melhor e já é um corredor a apostar", disse José Poeira.
Até lá, as eventuais lesões são a principal preocupação de José Poeira, que diariamente torce por um bom desempenho de Rui Costa no Tour, mas essencialmente "reza" para que não caia, tal como Manuel Cardoso na Polónia, porque já houve bastantes quedas e "muitos dos que estavam para ir aos Jogos Olímpicos abandonaram e já não têm hipótese de ir e outros ficaram mal tratados".