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A judoca da Casa do Povo de Rio Maior, de 32 anos, promete fazer tudo o que sabe para realizar uma grande prova na capital inglesa.
RECORD – Que resultado gostaria de alcançar nestes seus primeiros Jogos Olímpicos?
YAHIMA RAMIREZ – Vou a Londres lutar pela conquista de uma medalha. Esse é o ‘bichinho’ para qualquer atleta que vá aos Jogos Olímpicos. A qualificação foi muito difícil, mas depois de a conseguir quer-se sempre mais. Vou dar tudo o que sei e tentar realizar uma grande prova em Londres.
R – Esta presença na capital inglesa, arrancada a ferros, tem algum significado especial para si?
YR – Garantir a qualificação para os Jogos Olímpicos sempre foi um dos meus objetivos na minha carreira desportiva, desde os tempos em que representava a seleção de Cuba. Depois de um longo interregno competitivo, consegui concretizar o meu sonho em Portugal. É o maior evento o Mundo, único e que só se realiza de quatro em quatro anos.
R – Como é que vai motivar-se para conseguir chegar à tão ambicionada medalha?
YR – Quando subir ao tapete para lutar vou pensar positivamente e desejar que tudo corra muito bem. Vai existir sempre muita pressão numa prova como esta, porque são quatro anos de trabalho avaliados em apenas um só dia, mas tudo pode acontecer. Não posso garantir nada, mas vou procurar o momento de glória.
R – Como decorreu a sua preparação neste ciclo olímpico?
YR – A preparação correu bem, pois foquei-me bastante nos estágios, nas sessões de treino e na competição. Apesar de me ter lesionado, está tudo controlado para que no dia da prova esteja a cem por cento, de maneira a sentir-me bem fisicamente. As dores que possam incomodar estarão debeladas quando estiver a lutar.
R – A categoria de peso dos -78 kg é bastante competitiva. Teme alguma adversária mais complicada?
YR – Estas adversárias já se conhecem muito bem, num grupo onde há bastante rivalidade e equilíbrio competitivo. Existe um lote muito grande de candidatas, podendo destacar a judoca chinesa Xiuli Yang– campeã olímpica em Pequim’2008 –, a japonesa Akari Ogata, a húngara Abigel Joo, a francesa AudreyTcheumeo ou a brasileira Mayra Aguiar – líder do ranking mundial –, entre outras. Eu poderei estar em um patamar um pouco mais abaixo, mas isso não me intimida psicologicamente, porque sei que tenho capacidades para ganhar a qualquer uma destas rivais e surpreender. Nem sempre são os favoritos a ganhar as medalhas e a serem os campeões.
R – Depois de disputar os Jogos Olímpicos de Londres’2012 espera ter forças para prosseguir a carreira até ao Rio de Janeiro’2016?
YR – Para já, nesta fase em que estou com tanto volume de judo e tão concentrada na minha preparação para os Jogos Olímpicos, é difícil encarar o abandono definitivo da competição. Mas, depois de terminar a prova de Londres, vou ter um largo espaço de tempo para descansar e refletir, de maneira a avaliar se vai continuar a valer a pena. Quero muito visitar Cuba, porque não vejo o meu pai há muito tempo, há mais de três anos, e tenho saudades dele e da família. O meu filho também é muito importante para mim e merece todas as atenções da mãe. Mas se tiver condições para continuar a conjugar a vida familiar com o judo é caso para pensar em prosseguir por mais quatro anos. Basta que o alto rendimento continue a surgir, pois os atletas têm tido uma longevidade cada vez maior, com o limite da idade para a prática desportiva a aumentar todos os anos. Ainda há pouco tempo, em conversa com o selecionador da Irlanda, ele perguntou-me se eu continuava. Respondi-lhe que ainda não sabia, mas ele incentivou-me a não abandonar, porque acha que ainda tenho capacidades para mais.
QUEM É
Nome: YAHIMA RAMIREZ
Nascimento: Havana, Cuba, 10/10/1979, 32 anos
Nacionalidade: Portuguesa, desde 2007
Altura e peso: 1,78 m e 78 g
Categoria de peso: -78 kg
Ranking olímpico: 16.ª
Clube: Casa do Povo de Rio Maior
Treinadores: Rui Picoto (clube) e Rui Rosa (selecionador nacional)
Melhores resultados: Europeus – 3.ª em 2008, 7.ª em 2009 e 2012. Grand Slam/Grand Prix/Taças do Mundo – 1.ª em Lisboa’2009; 2.ª Apia’2012 e São Paulo’2011; 3.ª Oberwart e Sófia’2011, Madrid e Moscovo’2009 e Tallin’2007. Jogos da Lusofonia – 1.ª em Lisboa’2009