Alberto Paulo: «Não quero criar grandes expectativas»
Finalista no Mundial em 2011 nos 3000m obstáculos ambiciona ser um dos raros não-africanos entre os 15 melhores nos Jogos Olímpicos, mas sabe que a tarefa é muito difícil..
Finalista no Mundial em 2011 nos 3000m obstáculos ambiciona ser um dos raros não-africanos entre os 15 melhores nos Jogos Olímpicos, mas sabe que a tarefa é muito difícil.
RECORD –Há quatro anos obteve o mínimo nos 3.000m obstáculos para os Jogos a duas horas do final do prazo. Como recorda esses momentos?
ALBERTO PAULO – Eu sabia que poderia conseguir o mínimo, não esperava era obter logo o mínimo A. Correra em Bilbau uma semana antes e ficara próximo do mínimo B. Depois, no Meeting da Madeira, foi preparada uma prova com duas “lebres” quenianas. Correu tudo bem Rui Pedro Silva foi muito importante pois “acalmou” os quenianos que iam impor um ritmo demasiado rápido –e lá consegui o mínimo.
R– E, depois, o que recorda dos Jogos de Pequim?
AP – São excelentes recordações, tanto mais que foi a minha estreia em grandes competições. Apenas estivera num Europeu de Sub-23, nunca havia estado num Europeu ou num Mundial absolutos. Deu-me muito alento com vista ao futuro. Claro que, na prova, fiquei logo eliminado, mas já contava com isso. Era difícil aguentar a forma mais duas semanas e nos Jogos estão todos os melhores…
R – Já tem 8.22,41 m e o recorde nacional está em8.19,82. Será este ano que o bate?
AP –Não estou obcecado com isso. Só quero ir melhorando gradualmente e, se tudo correr bem, pode ser que um dia ele caia. Se a prova do Mundial de Daegu, quando fiz o recorde pessoal, tivesse sido umas duas semanas antes teria sido melhor. Antes, na China, participara nas Universíadas e já estava naquele clima muito quente e desgastante há demasiado tempo…
R – Qual foi a melhor prova da sua carreira?
AP – A das Universíadas, que ganhei, foi boa,mas a eliminatória do Mundial foi a melhor prova. Entre os 15 apurados para a final, só quatro não eram africanos e, destes, dois eram descendentes de africanos…
R – Treina-se na Madeira e o seu treinador, António José, vive no Porto. Como fazem?
AP–Contactamos diariamente pelo telefone ou internet e sempre que tenho provas no continente vou um dia mais cedo, para conversarmos. E faço os estágios com ele. Este ano pensamos fazer um em altitude, em Espanha, antes do Europeu, e talvez m outro, mais curto, a seguir.
R – Antes os Jogos haverá o Europeu. Qual o objetivo?
AP – Gostaria de melhorar o 10.º lugar de há dois anos, em Barcelona, e acho que é possível.
R– Depois, nos Jogos, a passagem à final será o objetivo…
AP – Será difícil, já que toda a gente e aponta para o mesmo e tentarão estar lá no máximo da forma. Masé claro que irei tentar estar também no meu melhor e sinto que terei uma pequena hipótese de passar à final. Não quero estar a criar grandes expectativas, quero ser realista…
QUEM É
Nome: ALBERTO Casimiro da Costa PAULO
Nascimento: Calheta, 3/10/1985, 26 anos
Clubes: CS Marítimo (2003 a 2011) e Benfica (2012)
Treinador: António José Costa
Recorde pessoal: 3.000 obstáculos – 8.22,41 m (2011)
Títulos nacionais: 5.000 m (2010), 3.000 obs. (2011) e crosse curto (2012)
Principais internacionalizações: Jogos de 2008 (11.º elim.); Mundiais de 2009 (11.º elim.) e 2011 (15.º); Europeu de 2010 (10.º); Universíadas de 2011 (1.º); Ibero-Americanos de 2010 (3.º)