Ana Cabecinha: «Ser finalista não é obrigação»
Ana Cabecinha considera apoio do Comité Olímpico importante
Começou na modalidade aos 11 anos, por ser uma menina gordinha que queria emagrecer. O 8.º lugar em Pequim ainda lhe parece um sonho,mas trava a euforia
RECORD – Tornou-se atleta por acaso e foi 8.ª nos Jogos de Pequim sem o preverminimamente…
ANA CABECINHA – É verdade, quem diria? E já passaram quase quatro anos…Quando os meus pais me levaram para o atletismo não pensava em nada disso, foi tudo surgindo de forma inesperada.
R– Que recordações tem desses Jogos Olímpicos de 2008?
AC – São tudo boas recordações. Vivi os Jogos com uma intensidade brutal, tentei absorver tudo. Independentemente dos resultados que ainda vier a fazer, esses Jogos ficarão para sempre na minha memória. Até porque as minhas expectativas eram muito baixas. Fui das últimas a chegar a Pequim e os resultados portugueses estavam a ser fracos. Além disso, falara-se muito do trânsito de Pequim, do calor, da poluição. Não senti nada disso, adorei tudo. Curiosamente, voltei lá dois anos depois e tudo foi bem pior – o trânsito caótico, a poluição, o clima…
R – Excedeu todas as expectativas, ao ser 8.ª nos Jogos e batendo o recorde nacional da Susana Feitor. Esperava tanto sucesso?
AC–De forma alguma, nunca poderia imaginar. Ainda por cima não pude treinar convenientemente devido a um problema no adutor (seria operada a umahérnia a seguir aos Jogos). Nem nas 16 primeiras –que era um objetivo – pensava ficar. Foi uma surpresa completa.
R– Entretanto, obteve boas classificações no Europeu de 2010 (8.ª) e no Mundial de 2011 (7.ª). Mas então já não foi surpresa…
AC–No Mundial do ano passado foi. Tive uma rotura muscular, estive três meses parada, cheguei a pensar que não iria competir. Mas agarrei a oportunidade e acabou por ser um lugar bastante bom, para o qual muito contribuíram as minhas colegas Susana Feitor e Inês Henriques, cujos conselhos antes da prova foram importantes. E, depois, na competição, entreajudámo-nos muito.
R – Esta época tem estado a correr bem – campeã nacional, 2.ª em Rio Maior, 9.ª na Taça do Mundo. Alterou alguma coisa na preparação?
AC – Tenho tido mais cuidado com as lesões, trabalhado mais com o fisioterapeuta, treinado bem e, quando assim é, os resultados aparecem.
R– Depois do 8.º lugar em Pequim, as pessoas vão “exigir”mais…
AC – Ainda faltam muitas semanas e a minha preocupação, agora, é continuar a preparar-me bem.O primeiro objetivo é ficar entre as 12 ou 16 primeiras para continuar a ter o apoio do Comité Olímpico, que é muito importante. Ficar entre as oito primeiras só porque fui 8.ª em Pequim não é bem uma “obrigação”. As coisas não são assim tão simples, há muita gente a preparar-se bem e todas querem o mesmo…
R–Como será a preparação até lá?
AC – No dia 17 deste mês irei para a altitude, perto de Madrid, regressando para os Campeonatos de Portugal (7 de julho). Depois irei mais dez dias e, até aos Jogos Olímpicos – serei das últimas a viajar para Londres – ficarei em Monte Gordo. Farei o estágio com a Inês Henriques, o que será muito bom.
QUEM É
Nome: ANA Isabel Vermelhudo CABECINHA
Nascimento: Beja, 29/4/1984, 28 anos
Clube: Clube Oriental de Pechão
Treinador: Paulo Murta
Recordes pessoais: 3.000 metros – 12.31,86 minutos (2012); 5.000 m – 21.41,3 (2010); 10.000 m – 43.08,17 (2008) – recorde nacional; 20 km – 1:27.46 h (2008) – recorde nacional
Principais classificações internacionais: 8.ª nos Jogos Olímpicos de 2008; 8.ª no Europeu de 2010; 7.ª no Mundial de 2011; 8.ª na Taça do Mundo de 2010 (9.ª em 2012); 1.ª nos Ibero- Americanos de 2006 e 2010 (2.ª em 2004); 4.ª no Europeu de Sub-23 em2005; 3.ª no Europeu de juniores em 2003
Títulos nacionais: estrada (20 km) em 2012; pista (10.000 m) em 2005, 2008 e 2010; pista coberta (3.000 m) em 2012