Joana Castelão: «Puxar o gatilho sem pressão»

Paixão pelas armas começou bem cedo quando ia à caça com o pai

Joana Castelão «Puxar o gatilho sem pressão»
Joana Castelão «Puxar o gatilho sem pressão»
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Paixão pelas armas começou bem cedo quando ia à caça com o pai .

RECORD – Como surgiu a paixão pelo tiro?

JOANA CASTELÃO – Começou bastante cedo, quando era miúda, pois costumava ir à caça com o meu pai. Ele era um bom atirador e trazia para casa alguns coelhos, lebres e tordos...

R – Também chegou a caçar?

JC – Nunca. Apenas acompanhava o meu pai. Depois, com 16/17 anos, comecei a interessar-me pelo tiro de pistola.

R– Qual foi a primeira sensação?

JC – Diria que foi bastante agradável. Tinha um certo jeito e considerei que a competição passou a ser um desafio permanente às minhas capacidades. Ainda dei uns tiros de carabina, mas acabei por me fixar na pistola de ar comprimido e na de sport.

R – Muitos nervos nas primeiras provas?

JC – Ao princípio tudo era uma novidade e lembro-me de na primeira deslocação ao estrangeiro, no Luxemburgo, numa prova de preparação para o Campeonato da Europa, ter passado por situações de muito stress. Mas tenho de encarar isso de forma positiva, pois ajudou-me a ultrapassar mais tarde várias barreiras.

R – Chegou a estar envolvida na corrida para os Jogos de Pequim’2008?

JC –Ainda estive com o pensamento nos Jogos, mas o melhor momento de forma apareceu quando já não havia provas para me qualificar. Fico feliz por ter feito todo esse percurso de aprendizagem que me permitiu estar hoje com a entrada garantida para os Jogos de Londres.

R – Depois de não ter ido a Pequim, fez questão de programar a forma para ir competir a Londres?

JC – Sem dúvida. Fiquei sempre com a ideia de um dia ir aos Jogos Olímpicos. Treinamos tanto, passamos tantas privações que temos de ter um objetivo em vista.

R – Quantas horas treina por dia e como é a sua vida?

JC – Sou funcionária numa farmácia em Algés e isso não me permite ter muito tempo livre. Felizmente que os meus colegas e patrões são muitos compreensivos e trocamos de horários de forma a eu poder treinar-me ou deslocar-me a competições. Mas não é fácil conjugar tudo e arranjar vontade e forças para tirar proveito do treino.

R – Como consegue articular tudo isso?

JC –Os objetivos falam mais alto e para não me estar a desgastar sem necessidade acabo por não treinar todos os dias. É melhor. Foi uma decisão bem pensada e tomada em conjunto com o meu treinador. Mas também há dias em que faço o turno de madrugada na farmácia e a seguir vou treinar...

R – Quais são os objetivos que tem para os Jogos de Londres?

JC – A ideia que tenho bem firme na cabeça é que não vou para cumprir calendário ou dizer que estou presente na maior competição desportiva. Não foi para isso que andei a treinar e a fazer tantos sacrifícios na vida.

R – O que é para si um bom resultado?

JC – Aprendi bastante a contolar as emoções e é preciso uma pessoa estar bem concentrada na competição para depois puxar o gatilho sem qualquer pressão. Só quero estar confiante.

R – Estes vão ser os seus primeiros Jogos Olímpicos. Em mais quantos espera competir?

JC – O meu colega João Costa tem mais de 40 anos e já vai nos terceiros Jogos Olímpicos. Irei fazer a estreia olímpica com 27 anos e espero ir a muitos mais, apesar de o tiro feminino ser pouco divulgado em Portugal. Temos poucas atiradoras federadas.

QUEM É

Nome: JOANA Sofia Paiva CASTELÃO
Nascimento: Algés, 26/12/1984, 27 anos
Altura e peso: 1,64 m e 57 kg
Habilitações literárias: Licenciada em Ciências Farmacêuticas
Modalidade: Tiro – 10 m (ar comprimido) e 25 m (sport) Clube: Clube de Atiradores do Pessoal da PSP
Treinador: José Pêgo

Principais resultados: 2012 – 11.ª no Campeonato da Europa (Finlândia); 2010 – 14.ª no Campeonato do Mundo (Alemanha); 2008 – 7.ª no Campeonato da Europa (Suíça); recordista nacional de 10 m e 25 m

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