João Costa: «Treino-me em casa»
O atirador da Associação Naval 1.º de Maio ainda não tem as melhores condições de preparação...
Foi dos primeiros a qualificar-se para os Jogos Olímpicos e não avança com metas, embora tenha como referência a 7.ª posição de Sydney’2000. O atirador da Associação Naval 1.º de Maio ainda não tem as melhores condições de preparação.
RECORD – Sente-se preparado para enfrentar a possibilidade de melhorar o 7.º lugar alcançado em Sydney’2000?
JOÃO COSTA – A preparação tem decorrido de acordo com as minhas possibilidades de treino. Ninguém duvide que tenho as minhas expectativas para os Jogos de Londres, mas, desta vez, não sou eu quem irá divulgá-las. O objetivo fica só para mim. Quem se quiser adiantar nas previsões que o faça. Eu não vou dar essa possibilidade.
R – Atendendo a que fez os mínimos com muita antecedência, o COP já o indicou para Londres. Isso conferiu-lhe uma maior tranquilidade em termos de preparação?
JC – Nunca coloquei isso em causa, nem nunca me senti fora da equipa olímpica. O que tenho é a perfeita noção que não sou um atirador profissional. Esta não é a minha profissão. Só quero ser igual a mim próprio. Acho que é bom já estar selecionado, mas, como disse, esta decisão do COP para mim representa uma mera formalidade, depois de ter obtido um 5.º lugar no Campeonato do Mundo.
R – Até aos Jogos Olímpicos qual é o seu calendário?
JC – Em princípio irei competir em meados deste mês no Test Event, em Londres, uma competição em tudo muito semelhante à dos Jogos Olímpicos, pois será disputada no mesmo local. Irei competir nas duas provas, 10e50metros,o que é bom para avaliar as condições do campo de tiro. Depois, em maio tenciono disputar a última competição antes dos Jogos. Será na Taça do Mundo, que terá provas em Milão e em Munique. A seguir farei um estágio na Alemanha, juntamente com outros atiradores.
R – Em ano olímpico houve alguma melhoria nas suas condições de treino?
JC – Sou militar da Força Aérea na base de Monte Real e tenho horários a cumprir entre as 9 e as 17 horas. Os treinos dos melhores atiradores do Mundo prolongam- se por 6 horas todos os dias. Eu estou limitado. Aproveito as provas para treinar-me e uma vez por semana vou até à carreira de tiro. Só de vez em quando é que me desloco até ao Estádio Nacional. Depois treino-me muitas vezes em casa, na cave, com a pistola de pressão de ar. São as condições que tenho. O apoio do Comité Olímpico de Portugal e o da Federação tem sido muito importante para me manter em atividade.
R– Sendo o tiro umamodalidade que requer muita concentração, já sentiu a necessidade de ter o apoio de um psicólogo?
JC – Na verdade, acho que não preciso. Tento sempre estar calmo, não me preocupar com as coisas e estar sempre bem-disposto. Mas aqui não há milagres e os resultados finais são reflexo de muita coisa. Em termos de psicólogo acredito que não seja necessário.
R – Está satisfeito como equipamento que tem?
JC – Digamos que não me posso queixar. Tenho um fabricante que me apoia e através da Federação tenho as munições para os treinos. As minhas armas são relativamente novas e dou-me até bastante bem com elas.
QUEM É
Nome: JOÃO Carlos Calvete Pereira da COSTA
Nascimento: Luanda, Angola, 28/10/1964, 47 anos
Altura e peso: 1,82m e 102 kg
Disciplina: Tiro
Clube: Associação Naval 1.º de Maio
Palmarés: Jogos Olímpicos – Pequim’08: 17.º (em 10 m) e 52.º (em 50 m); Atenas’04: 17.º (em 10 m) e 12.º (em 50 m); Sydney’00: 7.º (em 10 m) e 27.º (em 50 m); Campeonato do Mundo – Munique’10: 5.º; recordista nacional em pistola ar comprimido (10 m), pistola standard (25 m), pistola de percussão central (25 m) e pistola livre (50 m)