João Rodrigues: «Não teria piada de outra forma»
João Rodrigues gostaria de ficar entre os 8 primeiros
Aos 40 anos admite que a fasquia dos 8 primeiros é alta mas garante estar a postos para o desafio
RECORD – O facto de esta poder ser a última presença do windsurf nos Jogos torna esta participação especial?
JOÃO RODRIGUES – Não. Encaro esta participação como todas as outras, porque em todas as anteriores sabia que poderia ser a última...
R– Como comenta a substituição da prancha à vela pelo kite surf no programa olímpico do Rio de Janeiro 2016?
JR – Foi envolta em grande polémica. Primeiro, porque representantes de diversos países (Espanha, Venezuela, Singapura) votaram contra o sentido de voto dos países querepresentavam! Segundo, muitas das questões relacionadas com o kite surf– segurança (o número de casualidades mortais é a mais alta alguma vez registada numa classe olímpica de vela), formato de competição e material a usar – não foram previamente esclarecidas, o que significa que pouco ou nada se sabe na prática sobre esta modalidade. A prancha à vela não teve oportunidade de exporos seus argumentos perante o conselho que escolheu as classes para os JO de 2016.
R – Que reflexos terá uma eventual confirmação da saída da prancha à vela dos Jogos?
JR – Significa uma enorme perda. Trata-se da segunda classe mais representativa em termos da vela ligeira olímpica; no último Mundial da classe, 56 países tentaram a qualificação para os JO de Londres. Por esse Mundo fora, milhares de jovens que velejavam nos escalões juniores, quer na prancha de iniciação BIC Techno quer na RS:X, viram os seus sonhos destruídos por uma decisão lamentável por parte do organismo que deveria defender os interesses da vela a nível mundial.
R– E a nível nacional?
JR – A nível nacional, estranhamente, nunca houve um projeto de desenvolvimento desta classe que, sublinho, era a mais acessível do programa olímpico. Apenas na Madeira se procurou criar uma base de velejadores que pudesse eventualmente um dia lançar-se em campanhas olímpicas. Mas agora todo esse esforço vai literalmente por água abaixo. A prancha à vela não morrerá certamente, mas o programa olímpico perdeu uma das classes mais espetaculares.
R – Definiu um lugar entre os 8 primeiros como objetivo. Tendo em conta os últimos resultados, a concorrência e a sua idade, será uma fasquia muito alta?
JR– Sim, a fasquia é alta.Mas não teria piada de outra forma... Acredito que ainda posso lá chegar e estou a trabalhar todos os dias para tal.
R– Está adaptado ao campo de regatas de Weymouth?
JR – Desde 2009 que tenho passado largas temporadas em Weymouth. Gosto efetivamente do campo de regatas e até se pode dizer que estou “feito” ao mesmo. Mas os meus colegas e amigos também, pelo que creio que, nesse campo, estamos todos em pé de igualdade.
R–Vai entrar noutra página do desporto português com esta 6.ª participação em Jogos Olímpicos. Seria justo ser o porta-bandeira da delegação nacional?
JR– Não é justo que essa pergunta me seja colocada...
QUEM É
Nome: JOÃO Filipe Gaspar RODRIGUES
Nascimento: Funchal, 2/11/1971, 40 anos
Altura e peso: 1,80 m e 71 kg
Classe: RS:X
Jogos Olímpicos: Barcelona’92, 23.º; Atlanta’96 , 7.º; Sydney’00, 18.º; Atenas’04, 6.º (mistral); Pequim’08, 11.º (RS:X)
Outros resultados: Mundiais – campeão em 1995, medalha de bronze em 1998 e 4.º em 1997 e 2003, na classe mistral; vice-campeão do Mundo em 2008, 4.º em 2007 e 6.º em 2009, na classe RS:X. Europeus – campeão em 1996 e 1997, medalha de bronze em 2003, na classe mistral; campeão em 2008 e 5.º em 2007 e 2009, em RS:X