João Silva: «Medalhas só numa situação especial»
Atleta é uma das esperças portuguesas
Com 16 anos trocou a Benedita pelo CAR do Jamor. Diz que valeu apena e tem orgulho do que já conseguiu.
RECORD – Sente-se nervoso com a estreia em Jogos Olímpicos?
JOÃO SILVA– Faltam cerca de dois meses para completar a preparação e, apesar de ser o principal objetivo da época, não traz mais nervosismo do que outra prova de grande nível. Normalmente não fico nervoso e não será algo que me dá imenso prazer que me vai deixar nervoso.
R–Como foi a qualificação?
JS–O sistema de qualificação no triatlo tem por base um ranking determinado pelas pontuações obtidas nas mais importantes provas do Circuito Mundial ao longo dos últimos dois anos.Embora os lugares conquistados pelos atletas não sejam nominais, há bastante tempo que estava virtualmente apurado, pois a vitóriana WCS de Yokohama em 2011 permitiu-me, praticamente, cumprir os critérios internos da Federação. As 14 melhores pontuações ao longo destes dois anos determinam a quantidade de atletas por país presentes. Apesar de não ter preenchido todas estas pontuações, terminei a qualificação no 10.º lugar.
R–É uma das esperanças portuguesas às medalhas. Como encara esta situação?
JS –Tem sido um ano com muitas lesões.Os irmãos Brownlees são provavelmente os melhores da história no triatlo olímpico, todos gostavam de os bater e eu não fujo à regra. No entanto,a realidade é outra:medalhas só numa situação muito especial. É esperar que tudo corra bem. Não é impossível. Em condições normais, a situação é a seguinte:80 por cento de probabilidades dos Brownlees no pódio, 7,5 para o Javier Gomez,10 a dividir por russos, alemães, neozelandeses,suíços e canadianos, e 2,5 para os restantes. Se estiver bem preparado, tenho argumentos para me incluir no lote dos 10 por cento.
R– Mas qual é o objetivo?
JS– Chegar ao fim sem arrependimentos. Acabar com o sentimento de que mais não podia ter sido feito.
R – Tem sido pois um ano de lesões. Como se sente?
JS – Iniciei recentemente o último ciclo de preparação. Não me sinto rápido nem forte,mas hiper motivado para o trabalho que tenho de fazer.
R– Como vai ser este período até Londres? É só treinar e descansar, ou há competições e estágios?
JS–Treinar e descansar serão as palavras-chave.Um estágio em altitude em julho para limar as últimas arestas também está previsto.Quanto a competições, provavelmente apenas uma para testar alguns pormenores.
R– Como está o curso de Medicina?
JS–Os estudos estão em stand-by. Quero recomeçar o terceiro ano no início do próximo ano letivo e conciliar com o triatlo, pelo menos para já é essa a ideia.
R– Como é a vida de um jovem de 23 anos que pratica desporto de alta competição?
JS – Faço escolhas diferentes, não menos divertidas na minha opinião. É sempre possível um equilíbrio. Há privações, mas como é por um objetivo bem definido e muito querido, nem se dá por isso.
R – Trocou a Benedita pelo CAR do Jamor. Tem valido a pena?
JS – Com 16 anos mudei-me para o Jamor. Posso não ter a qualidade a níve lde infra-estruturas e comodidade que colegas de outros países têm, mas não é desculpa para fazer menos. Lisboa é uma cidade maravilhosa e o triatlo um desporto fantástico. Continuo apaixonado pela modalidade e tenho orgulho em tudo o que já fiz.
QUEM É
Nome: JOÃO Pedro SILVA
Nascimento: Benedita, 15/5/1989, 23 anos
Altura e peso: 1,70 m e 60 kg
Clube: Sporting
Ranking apur. olímpico: 11.º
Treinadores: Manuel Alves e Bruno Salvador
Momentos altos na carreira: 2008 – campeão da Europa
Sub-23; 2010 – campeão da Europa Sub-23; 1.º Taça do
Mundo de Monterrey; 4.º na finalíssima do World Series em
Budapeste; 2.º na Taça da Europa de Quarteira; 2011 –
campeão da Europa Sub-23; Provas do World Series – 1.º em
Yokohama, 5.º em Hamburgo; 8.º em Lausana e Sydney; 2012
– 25.º no Campeonato da Europa de elites; 43.º na Taça
da Europa de Quarteira; 52.º World Series de San Diego