Manuel Cardoso: «Tenho conseguido concretizar os sonhos»
Sprinter confessa que no seu caso compensa ser ciclista...
Sprinter confessa que no seu caso compensa ser ciclista, mas reconhece que alguns colegas são explorados
RECORD – Já esteve nas três grandes Voltas. Agora é a vez dos Jogos Olímpicos. O que mais pode ambicionar?
MANUEL CARDOSO – Temos de ter sempre mais ambição, se não deixamos de ser competitivos. Gostava de estar, todos os anos, em pelo menos uma grande Volta, ganhar uma etapa e estar sempre presente em Campeonatos do Mundo para lutar por uma medalha.
R – Foi um dos três escolhidos num grupo de 12. Acreditou sempre que podia ser selecionado para os Jogos de Londres?
MC – Sim. Tendo em conta as características da corrida, o facto de eu ter sido 16.º no último Mundial e estar no projeto olímpico, reunia bastantes fatores para estar presente...
R – O que pode afinal fazer a Seleção Nacional com apenas três ciclistas?
MC – Sinceramente, tudo. As equipas mais representadas têm cinco corredores, mas também não é o suficiente para poderem controlar toda a corrida. Levamos um ciclista que anda muito bem no contrarrelógio, o Nelson Oliveira, e que pode fazer um bom trabalho na prova de estrada. O Rui Costa, se a corrida se tornar muito dura e “atacada”, pode estar na frente e eu serei o homem que, se a prova chegar ao sprint, terei de estar nas primeiras posições...
R – Perante este cenário, qual o objetivo pessoal?
MC – Terminar entre os 15 primeiros.
R – Só com dois colegas para o ajudar numa hipotética chegada ao sprint, como fintar o favoritismo de outros países?
MC–Os outros sprinters não vão ter no final muito mais colegas do que eu, porque terão de trabalhar durante toda a corrida para tentar levar o grupo compacto. No final vou contar com a ajuda dos meus companheiros e aproveitar também o trabalho dos outros.
R – No início da carreira, em algum momento sonhou chegar ao Tour e aos Jogos Olímpicos?
MC – Sonhar, sonhei. Mas quando pensava nessa real possibilidade, dizia que era muito difícil lá chegar. Porém, com o trabalho e dedicação de muitos anos tenho conseguido concretizar muitos dos meus sonhos.
R – Muitas pessoas não têm a noção de que um ciclista profissional trabalha praticamente 11 meses no ano e que está bastante tempo fora de casa.
MC – É uma vida diferente. Treinamos todos os dias e estou normalmente 150 dias por ano fora de casa, entre estágios e competições. É uma vida dura por causa do cansaço físico e psicológico, mas temos de estar preparados para tudo.
R – Compensa ser ciclista, tendo em conta as exigências e porque, ao contrário de muitos outros desportos, não pode ter outra profissão?
MC – No meu caso sim, e penso que os corredores que estão em equipas ProTour e Profissional Continental também. Mas ainda há muitos atletas que são explorados.
QUEM É
Nome: MANUEL António Leal CARDOSO
Nascimento: Paços de Ferreira, 7/4/1983, 29 anos
Altura e peso: 1,76 m e 65 kg
Equipas: Caja Rural (2012), RadioShack (2011), Footon-Servetto (2010), Liberty Seguros (2008 e 2009), Riberal-Boavista (2007), Carvalhelhos-Boavista (2006)
Principais resultados: 2012 – campeão nacional de estrada; 1.º numa etapa da Volta a Castela e Leão; 2011 – 1.º numa etapa na Volta à Catalunha, 16.º no Mundial de estrada; 2010 – 1.º numa etapa no Tour Down Under; 2009 – campeão nacional de estrada, 1.º uma etapa na Volta a Portugal, 1.º numa etapa na Volta ao Algarve e 1.º em duas etapas no GP Internacional de Torres Vedras