Match Racing feminino: Inconformismo e determinação

Match Racing feminino: Inconformismo e determinação
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Trio do Match Racing feminino parte em desvantagem face às adversárias por falta de condições para se preparar

RECORD – Quais são as vossas expectativas para os Jogos Olímpicos de Londres em2012?

DIANA NEVES – O nosso primeiro objetivo foi o apuramento, que foi muito difícil, por serem apenas 12 os países qualificados. Agora vamos à procura do melhor resultado possível, mesmo tendo em conta que a nossa preparação foi muito deficitária face às adversárias. Fomos a única tripulação a apurar-se sem ter um barco próprio. Só a cinco meses dos Jogos conseguimos alugar dois.

R – Tiveram de realizar um grande trabalho, suado, para chegar aos vossos objetivos...

MARIANA LOBATO– Sim. Começámos esta campanha a lutar sem as mesmas armas das outras seleções. Tivemos de navegar em barcos diferentes daqueles que serão usados em Londres’2012, alcançando o apuramento frente a adversárias com muitas mais horas de treino, pois só começámos a sério em 2010. Queremos chegar ao degrau mais acima, onde já estão as outras. Temos como trunfo outras qualidades, que as outras tripulações não têm.

R – Já conhecem o campo de regatas dos Jogos Olímpicos?

RITA GONÇALVES – Já conhecemos e, de certa forma, agradou-nos. Estivemos lá há uma semana, na segunda vez em que fomos avaliar as condições. É um campo muito instável, com vento oeste, muitas ondas, com um mar diversificado.

R – Quais as razões de ter optado pela vela?

DN – O desporto sempre fez parte da minha vida, mas a vela ocupou um lugar muito especial. O meu pai tinha um barco de grandes dimensões e navegávamos juntos. Acabei por me inscrever nas escolas da modalidade e continuei, apesar de dar sempre prioridade aos estudos. Tentei conciliar as duas atividades, tendo concluído o mestrado e o doutoramento em Sistemas Sustentáveis de Energia. Mas neste momento estou concentrada a cem por cento no projeto olímpico. Depois, logo verei como vai ser o meu futuro.

R – E a Mariana? Como é que aderiu a esta modalidade? Tem outros projetos?

ML – A vela é uma paixão que vem da família, desde os bisavós e avós, tendo sido muito influenciada pelo meu pai, António Lobato, e também pelos irmãos, designadamente o Francisco, que faz travessias em solitário e, por isso, também é apelidado de maluco [risos]. Está numa vertente um pouco diferente da vela olímpica, onde o risco é bastante maior, já que se trata de um navegador que na maioria das vezes está sempre sozinho, no meio do imenso oceano. Mesmo assim, gostamos de trocar as nossas experiências, pois temos sempre alguma coisa para aprender um com o outro. Para além da vela, acabei de me licenciar em Publicidade e Marketing, na Escola Superior de Comunicação Social. Foi muito repentino, já que saí do curso e entrei logo no projecto olímpico, numa transição muito rápida. Estou, para já, focada nos Jogos e depois logo se vê.

R – Será que as condições de mar que vão encontrar se adaptam às vossas características?

RG – Gostámos das sensações no mar de Weymouth, onde se disputa a vela nos Jogos Olímpicos, porque se assemelha, de alguma forma, com o mar de Cascais. É um campo de regatas que não está viciado, que tem muitas e diferentes condições, o que nos oferece maiores oportunidades para recuperar se algo não correr de feição no início. Nenhuma das tripulações pode prever antes da prova quais é que vão ser as condições atmosféricas, porque existe sempre muita instabilidade. Todos vão ter de se adaptar às condições e isso agrada-nos bastante.

R – Como é que vocês funcionam como equipa e quais os vossos projectos para o próximo ciclo olímpico?

DN – Somos uma equipa solidária, que funciona bem quando está junta. Só assim o barco pode navegar. Existe outra componente do trabalho em terra, o treino físico, onde a atividade se faz mais ao nível individual e diferenciado. Quanto ao próximo ciclo olímpico, espero que não seja tão conturbado como foi o anterior, motivado não só pela crise institucional da Federação de Vela, mas também pela situação económica do país. Existe muita pouca esperança no futuro, pois parece que a tendência do desporto em Portugal é a de caminhar para o abismo...

QUEM SÃO

Nome: RITA Isabel Ferrão GONÇALVES

Nascimento: Lisboa, 17/4/1981, 31 anos

Altura e peso: 1,65 m e 65 kg

Clube: Clube Naval de Cascais

Nome: MARIANA Vaz Pinto Guimarães LOBATO [NA FOTO]

Nascimento: Lisboa, 23/12/1987, 24 anos

Altura e peso: 1,71 m e 69 kg

Clube: Clube Naval de Cascais

Nome: DIANA Pereira NEVES

Nascimento: Cascais, 26/6/1986, 25 anos

Altura e peso: 1,58 m e 63 kg

Clube: Clube Naval de Cascais

Classe: Match Racing feminino

Treinador: Diogo Barros

Resultados: 2012 – 9.º Miami Cup (EUA); 7.º St. Quay Women (FRA); 9.º Troféu SAR Princesa Sofia (ESP); 10.º Skandia Sail (ING); 2011 – 3.º Qualifier Europeu (FIN); 10.º Semana de Kiel (ALE); 6.º Europeu (FIN); 9.º Test Event (ING); 2.º Nations Cup, Grand Final (EUA); 7.º St. Quay Women (FRA); 11.º Mundial (AUS); 2010 – 4.º Portimão Women’s Cup (POR); 5.º Europeu (AUT); 20.º Mundial (EUA)

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