Pedro Martins: «Quero ser o primeiro do grupo»
Pedro Martins ambiciona evoluir ainda mais na modalide
O jovem algarvio viaja para a capital britânica com muita ambição e objetivos bem definidos. Será a sua estreia na prova máxima do desporto mundial.
RECORD – Como apareceu o badminton na sua vida?
PEDRO MARTINS – Comecei a jogar no dia em que completei 6 anos. A minha mãe foi buscar-me à pré-primária e disse que tinha uma surpresa. Fiquei super contente quando vi que ia levar-me a um treino de badminton. A partir daí ganhei uma paixão que nunca mais me abandonou.
R–E chegou aos Jogos Olímpicos. O que sentiu quando garantiu o apuramento?
PM–Senti uma enorme felicidade.Valeu a pena todo o empenho e esforço, físico, psicológico e até financeiro, que eu e a minha família fizemos.Mas hoje sei que todos estão orgulhosos por aquilo que consegui.
R – Como se processou a qualificação? Quantos torneios realizou?
PM–A qualificação foi feita com base na média dos 10 melhores resultados obtidos em torneios do circuito mundial. Este ano participei em 18, acabando por ser o 32.º da lista de apurados para os Jogos Olímpicos.
R–Com tantos torneios, que obrigaram a inúmeras viagens, como concilia a alta competição com a vida académica?
PM – É complicado conciliar as duas atividades, porque ambas requerem muito trabalho.Houve momentos em que tive melhores resultados no badminton do que na escola.Noutras ocasiões aconteceu o contrário.Mas felizmente contei sempre com a ajuda dos meus treinadores e de duas professoras (amigas) de Matemática, Simone e Anete Martins, da Escola Secundária Poeta António Aleixo.
R– Quantas horas se treina por dia?
PM – Depende. Varia muito com as datas das competições. Já cheguei a treinar 6 ou 7 horas por dia, mas atualmente, em média, trabalho 3 ou 4 horas diárias.
R–Compensa ser atleta de alta competição em Portugal? Teve apoios ou recorreu à ajuda da família?
PM – Financeiramente não compensa. Não ganho e nunca ganhei dinheiro como atleta de alta competição. Houve mesmo momentos em que tive de gastar dinheiro do meu bolso para ir a torneios... Há países onde os jogadores, com ranking inferior ao meu, ganham o suficiente para terem casa própria e independência. Não é o nosso caso, infelizmente. Não posso deixar de referir o apoio que tive do Centro Nenúfer de Portimão, que até me ajudou a ir à Índia, para disputar o Mundial de juniores.
R – Que ambições leva para Londres?
PM –O meu objetivo para Londres é simples: passar em 1.º do grupo. Sei que é muito difícil,mas também se fosse fácil não teria piada.Quero que todas as pessoas que me ajudaram e acreditaram em mim se sintam orgulhosas com o meu desempenho.
R – Portugal tem conseguido apurar jogadores para os JogosOlímpicos. Esta situação corresponde à realidade do badminton nacional?
PM – Em Portugal é muito difícil aliciar jogadores para levarem a sério a modalidade. Não existem apoios, tanto a nível de financiamento como de instalações. Todas as ajudas vão para o futebol e é muito triste ver pessoas que não têm pavilhões para se treinarem e estádios de futebol, que custaram milhões, serem utilizados uma ou duas vezes ao ano. Se pudéssemos mudar este tipo dementalidades, teríamos mais jogadores a praticar badminton.
R – E depois de Londres’2012? Vai continuar com pensamento nos Jogos do Rio de Janeiro?
PM – Tudo depende dos apoios e das condições que tiver. Como disse anteriormente, não se pode viver do badminton em Portugal. Tenho noção que sou novo e ainda posso evoluir muito, por isso não vou esconder que tenho muita vontade em estar no Rio de Janeiro, em 2016. Vontade não me falta.
QUEM É
Nome: PEDRO Miguel Assunção MARTINS
Nascimento: Parchal, 14/2/1990, 22 anos
Altura e peso: 1,77 m e 69 kg
Clube: CheLagoense
Ranking mundial: 56.º
Treinadores: Ângelo Santos e António Pinto Leite
Principais resultados: Campeão nacional absoluto (2008/09 e 2011/12); 1.º no ranking mundial de juniores (2009); 3.º Open de Santo Domingo; 2.º Yonex Welsh International (2009); 1.º Open de Marrocos; 1.º Open de Santo Domingo; 2.º Open de Porto Rico (2010); 3.º Open do Uganda; 3.º Open da Turquia; 1.º Open da África do Sul; 1.º Open do Suriname; 1.º Open da Síria; 3º do Brasil; 3.º Open da Guatemala (2011); participação no Campeonato do Mundo individual de Londres (entre os melhores 64 jogadores), em 2012