Rui Rosa: «Não podia ser pior»

"Ninguém nos elogia na mesma proporção quando somos campeões da Europa ou vice-campeões do mundo...

Rui Rosa: «Não podia ser pior»
Rui Rosa: «Não podia ser pior» • Foto: REUTERS
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Yahima Ramirez encerrou esta quinta-feira a participação do judo português nos Jogos Olímpicos Londres'2012 com mais uma derrota no primeiro combate, no seu caso na categoria de -78 kg e perante a britânica Gemma Gibbons.

Num combate que se mantinha equilibrado desde o início, sem ataques muito perigosos, a luso-cubana foi batida por ippon quando estavam decorridos 2.14 minutos, com uma boa projeção da britânica, seguindo a tendência dos outros três judocas portugueses, também afastados à primeira, no ExCel Centre: Telma Monteiro, João Pina e Joana Ramos.

"Se não ganhámos nenhum combate, não podia ser pior. As pessoas estão habituadas a que um certo número de atletas vá por aí em frente e vá ganhando e não se dão conta dos que ficam para trás. Desta vez, os melhores, aqueles que têm ganho mais combates, mais títulos para Portugal, falharam", reconheceu o selecionador Rui Rosa.

Na sua estreia olímpica, aos 32 anos, Yahima tinha outra expectativa e, sendo a última portuguesa a combater, queria pelo menos tentar melhorar a imagem deixada pela equipa nacional em Londres, mas acabou da mesma forma, desolada.

"Está muito triste. Todos temos de estar tristes. Toda a gente que gosta de desporto e vê uma equipa de judo com potencial para ganhar combates e medalhas e isso não acontece, ninguém pode estar contente", disse Rui Rosa, que falou aos jornalistas na ausência da judoca. Face à expectativa que o judo português levou para a Londres, nomeadamente através de Telma Monteiro, que era a principal candidata às medalhas em toda a missão portuguesa, Rui Rosa fez um balanço muito negativo e prometeu reflexão, considerando que "a palavra trágica é muito dura" para definir a prestação lusa.

"Ninguém nos elogia na mesma proporção quando somos campeões da Europa ou vice-campeões do mundo. Durante quatro anos tivemos um percurso muito bom, com muitas medalhas, em campeonatos da Europa e do Mundo. Só que os Jogos Olímpicos são uma prova completamente diferente. É de quatro em quatro anos e ninguém pode dar a volta no ano seguinte. Toda a gente se prepara bem. Nós também. Falharam, porque acontece, o judo é isto mesmo", explicou o técnico. Rui Rosa admitiu que "haverá outras explicações", mas são quis especificar, remetendo para a análise a fazer no seio da Federação Portuguesa de Judo, que terá de "rever o que foi feito, o que ficou por fazer e o que devia ter sido feito".

Dos motivos que possam vir a ser encontrados para explicar o "desastre", Rui Rosa exclui a dita pressão dos Jogos: "Acho que não é uma razão, porque nós estamos sempre sob pressão. Este ambiente até era melhor, se ganhássemos".

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