Sara Moreira: «Até poder tentarei ir com as da frente»
Sara Moreira quer estar ao mais alto nível nos Jogos
Quer subir ao pódio no Europeu (“quem sabe se não mesmo conquistar o ouro”), mas nos Jogos será mais complicado
RECORD– Como recorda os Jogos de Pequim, nas pistas e fora delas?
SARA MOREIRA – Pequim foi muito importante, pois tive oportunidade de ver o que são realmente os Jogos Olímpicos. No ano anterior havia sido finalista no Mundial e pensei que nos Jogos faria o mesmo. Mas a pressão é algo bem diferente, que nunca sentira antes. É bem mais complicado. Mas não mais esquecerei aquele ambiente da Aldeia Olímpica, a possibilidade de estar com atletas que apenas conhecia da TV. É tudo especial…
R – Os 3.000 m obstáculos são já passado?
SA – Sempre pensei que no Europeu iria apostar nos 5.000 m e, por isso, no ano anterior (2009), fui experimentar a distância. E ainda bem que o fiz, pois no Mundial de Berlim não consegui chegar à final nos obstáculos mas consegui-o nos 5.000 m. Quanto aos 10.000 m, era uma curiosidade que tinha e por isso fui experimentá-los e resultou. Por outro lado, comecei a ter problemas físicos resultantes do treino para os obstáculos, pelo que as distâncias planas foram uma boa alternativa.
R– Mas para os Jogos de Londres a aposta ainda era nos obstáculos…
SM – Sim, mas logo em março lesionei-me e não pude ir ao Mundial de pista coberta, estando um mês a recuperar. Depois, tive receio de voltar a lesionar-me e abdiquei completamente dessa ideia. Nos Jogos farei os 10.000 m logo no 1.º dia e, depois, talvez também os 5.000 m.
R – Porquê, então, os 5.000 m agora, no Europeu?
SM– Por um lado tem final direta e, depois, servirão de preparação para os 10.000 m dos Jogos. Não quero fazer demasiadas provas de 10.000 m antes dessa.
R – Parte para o Europeu com a melhor marca europeia do ano nos 5.000 m e como uma das favoritas…
SM – A experiência diz-me que nem sempre as favoritas ganham. Eu tenho a medalha de Barcelona a defender mas não irei, por isso, nem mais nem menos nervosa para a prova. Irei determinada a lutar por uma medalha, como há dois anos, e, quem sabe, se não mesmo a de ouro. Mas, tal como eu, há outras atletas com as mesmas intenções…
R – Nos Jogos Olímpicos já haverá as africanas…
SM– Sim, o nível é bem diferente. Estarão lá todas as melhores e na melhor forma. Tenho a noção da realidade. Os 31.23 que fiz são excelentes, até poderia ter feito menos, mas as africanas correm na casa dos 30 minutos.Tentarei bater o recorde pessoal, ir com elas até ser possível e tendo como primeiro objetivo um lugar entre as 16 primeiras. Se conseguir chegar entre as primeiras oito, óptimo. Quero é estar em Londres na melhor forma de sempre.
R–Como será a preparação?
SM – Estou num estágio em Mira até ao Europeu e, depois, voltarei para aqui até aos Jogos.Claro que nas últimas semanas o treino já será bem menos intenso e estarei essencialmente concentrada no objectivo Jogos Olímpicos.
R – Em 2016 estará com 30 anos e em 2020 terá 34. Não é muito para uma fundista…
SM–Espero estar nos dois Jogos e ao mais alto nível. E quem sabe se na maratona já daqui a quatro anos ou, o mais tardar, daqui a oito…
QUEM É
Nome: SARA Isabel Fonseca MOREIRA
Nascimento: Roriz, Santo Tirso, 17/10/1985, 26 anos
Altura e peso: 1,68 m e 51 kg
Clube: Maratona
Treinador: Pedro Ribeiro
Títulos nacionais: 1.500 m (2010), 3.000 obs. (2007, 2008,
2009 e 2011); 1.500 m – pista coberta (2011); 3.000 m – p. cob. (2007, 2008, 2009 e 2010); corta-mato curto (2008, 2009 e 2011); estrada (2009 e 2010)
Principais presenças internacionais: bronze no Europeu de 2010 (5.000 m); vice-campeã europeia de pista coberta em 2009 (3.000 m); campeã mundial universitária em 2008 (3.000 m obstáculos e 5.000 m), vice-campeã em 2011 (5.000 m); finalista nos Mundiais de 2007 (13.ª) e 2011 (12.ª mas desclassificada) em 3.000 m obst.; presente nos Jogos de 2008 (5.ª na elim.); 3.ª no Europeu de Sub-23 de 2007 (3.000 obstáculos)