Vera Barbosa: «Nem fazia ideia que era mínimo»
Vera Barbosa contida no que toca a objetivos a alcançar
Há um ano foi obrigada a tornar-se barreirista e apurou-se de forma inesperada.
RECORD – Aquando dos Jogos de Pequim’2008, já tinha a dupla nacionalidade e acabara de representar Cabo Verde nos Mundiais de Osaca’2007 e de Valência’ 2008 (pista coberta). Nessa altura pensava poder estar nos Jogos de 2012?
VERA BARBOSA – Nem me passava isso pela cabeça. Era corredora de 400 m e as minhas marcas não eram nada de especial a nível internacional.
R – Mas no ano passado deu um grande pulo na carreira...
VB – Sim, eu fazia 400 m planos mas tive de substituir uma colega, lesionada [Patrícia Lopes], nos 400 m barreiras e as marcas começaram a sair. Tornei-me barreirista e consegui o mínimo olímpico sem o esperar.
R – Foi muito difícil a transição para as barreiras?
VB – Ao princípio senti que não tinha muita técnica, mas tenho melhorado bastante e já me sinto mais ou menos adaptada às barreiras.
R – Qual é a principal dificuldade que sente?
VB – Diria que é recuperação depois de passar a barreira. Mas estou bastante melhor.
R – No futuro espera dedicar- se por inteiro às barreiras?
VB – É provável que isso aconteça, embora continue a fazer 400 metros planos. Nas barreiras posso melhorar mais a marca e ter acesso às grandes competições internacionais, o que não acontece nos 400 m planos.
R – Quando conseguiu o mínimo olímpico, ao ser 4.ª no Europeu de Sub-23, teve a noção de que tinha o passaporte para Londres?
VB – Não, eu nem sabia qual era o mínimo. Fui para lá com a 6.ª marca e fiquei contentíssima ao ser quarta. E ao ver que a minha marca era recorde nacional, ainda mais contente fiquei. Mas só quando cheguei junto ao meu treinador fiquei a saber que era também mínimo olímpico.
R – Como tem estado a correr esta época?
VB – Comecei muito cedo a competir e já entrei em muitas provas, cá e lá fora. Estou com alguma sobrecarga e por isso agora é para descansar e recuperar, com vista ao Europeu e aos Jogos Olímpicos.
R – Quais as aspirações para o Europeu?
VB – Estar na final já seria muito bom, se possível com recorde nacional.
R – E nos Jogos?
VB – É a minha estreia, estar lá já é uma vitória. E cada ronda que ultrapassar será uma conquista. Vamos a ver até onde consigo chegar. Gostaria de agradecer todo o apoio da minha família, do meu treinador Carlos Silva e do Sporting neste processo.
R – Qual foi a sua referência quando se iniciou no atletismo?
VB – A minha primeira referência no atletismo português foi a Naide Gomes pelo seu excelente porte atlético.
R – Está com 23 anos. Quantos mais Jogos pensa fazer?
VB –Acredito que poderei fazer mais dois, se continuar bem e os resultados forem sendo melhorados.
QUEM É
Nome: VERA Lúcia Mendes BARBOSA
Nascimento: Vila Franca de Xira, 13/1/1989, 23 anos
Nacionalidade: Portuguesa desde fevereiro de 2007
(era caboverdiana)
Altura e peso: 1,72m e 60kg
Clubes: JOMA (2005 a 2010) e Sporting (desde 2011)
Treinador: Carlos Silva
Recordes pessoais: 400 bar. – 55,81 – RN (2011); 200 m – 24,84pc (2012); 400 m – 53,76pc (2012)
Títulos nacionais: 400 bar. (2011), 400 m – p. cob. (2010 e 2012)
Principais internacionalizações: Mundiais de Osaca’2007 e Daegu’2011; Mundial de pista coberta de Valência’2008; Europeu de Sub-23 de 2009; Ibero-Americano de 2010