Combateu os talibãs e compete em Tóquio'2020: «Valeu a pena perder as minhas pernas?»
Atleta e ex-soldado australiano Curtis McGrath não esconde a raiva pelo que está a suceder no Afeganistão
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O australiano Curtis McGrath perdeu as duas pernas no Afeganistão há nove anos e hoje, ao ver a retirada das forças internacionais e o regresso dos talibãs ao país, o atleta paralímpico, em paracanoagem, questiona se guerra foi mesmo necessária.
Em 2012 McGrath perdeu a perna direita pelo joelho e a perna esquerda logo abaixo da mesma articulação, mas poucos meses volvidos já andava com próteses. Um ano depois estava dentro de um kayak e em 2016 ganhou o ouro nos Jogos do Rio'2016, na prova de paracanoagem velocidade 200 metros nas classe KL2, batendo o recorde paralímpico.
"O desporto ajudou-me a ter uma nova abordagem da vida e das minhas ambições. Acredito que me tenha ajudado a evitar problemas de saúde mental, porque deu-me um objetivo, um foco para definir uma meta e ir atrás dela", reconhece McGrath.
O ex-soldado, que é favorito ao ouro em Tóquio, não deixa, no entanto, de pensar se a sua missão no Afeganistão não foi em vão, dado o avanço dos talibãs nos últimos dias. "Valeu a pena perder as minhas pernas? Antes da semana passada não teria qualquer problema em dizer que sim. Fiquei irritado com o que aconteceu, com raiva. Treinámos e equipámos 300 mil afegãos. E parece que eles simplesmente entregaram as armas aos talibãs. Sim, ao início perguntei-me se tudo tinha valido a pena, depois do preço que pagámos em vidas e membros. Tenho tentado avaliar os pensamentos dos meus companheiros veteranos e é uma mistura de sentimentos. Alguns estão um pouco envergonhados e zangados com a situação. E eles têm todo o direito de se sentir assim", considera o ex-soldado.