Floriano Jesus, um ex-central que sonha na canoagem

Atleta deixou o futebol devido a um acidente, mas encontrou nova vida em Montemor

• Foto: Direitos Reservados

Desde jovem ligado ao desporto, Floriano Jesus começou por dar os primeiros passos no futebol, mas atualmente destaca-se na canoagem e é nessa modalidade que alimenta o sonho de chegar a Tóquio. Outrora central numa equipa de futebol, Floriano teve aos 16 anos um acidente de mota que lhe mudou a vida, bem como o trajeto no desporto.

O atleta, de 36 anos, ainda competiu no basquetebol em cadeira de rodas durante três anos, só que depois acabou por ir viver para Montemor-o-Velho, terra onde fica localizado o Centro de Alto Rendimento, e tudo mudou. "A equipa [de basquetebol] onde jogava acabou e então senti necessidade de procurar um desporto para continuar a fortalecer os membros superiores. Na altura em que estive parado, perdi mobilidade e força de braços. Estando a viver em Montemor, surgiu a oportunidade de ir para a canoagem", começa por explicar o paracanoísta, antes de revelar como foi a adaptação: "Tinha praticado sempre modalidades coletivas e depois passei para uma individual. Logo, a responsabilidade recai só sobre mim. A canoagem é uma modalidade náutica e nunca tinha praticado um desporto assim..."

Desde que entrou no projeto paralímpico, Floriano tem assistido a uma evolução das "condições e infraestruturas" da modalidade, garantindo que neste momento a aposta passa também "pela captação de novos talentos". Internacional desde 2016, o português destaca a sua evolução nos últimos anos e só pensa num único objetivo: estar em Tóquio. "A meta é ir aos Jogos de Tóquio. Aos de Paris logo veremos, até porque aí já terei alguma idade... Mas nunca se sabe. As médias de idade no desporto adaptado são muito altas, portanto tudo pode acontecer", sublinha o atleta, que ocupa para já a 1ª posição entre as quatro vagas restantes que garantem o apuramento na paracanoagem para os Jogos Paralímpicos.

Dias preenchidos com trabalho

Floriano Jesus concilia os treinos na paracanoagem com a profissão de medidor orçamentista, o que o leva a uma gestão rigorosa do seu tempo. "Conciliar o trabalho com o desporto, quando se faz treinos bidiários ou até mais por dia, não é fácil. A exigência de treino é bastante e não tenho um período de descanso suficiente. Tenho de ir treinar às 7h, trabalhar depois 8 horas e voltar a treinar até às 20h ou 21h. Há sempre aquela preocupação de estar ausente do emprego, e estando em prova às vezes é preciso despachar alguma coisa que seja precisa", conclui.

Guarda conselhos de Emanuel Silva e Fernando Pimenta

O facto de Floriano passar a maioria dos seus dias no Centro de Alto Rendimento em treinos com vista às provas que terá pela frente leva também a que possa partilhar o mesmo espaço de ídolos como Fernando Pimenta ou Emanuel Silva. "Ao contrário das outras modalidades, tanto na canoagem como na paracanoagem estamos a competir numa mesma prova. Ou seja, competimos na mesma ‘pista’. Posso estar a treinar e estão o Emanuel Silva, o Fernando Pimenta ou o João Ribeiro, entre outros, a treinar nas mesmas condições e locais que eu e os meus colegas. Encontramo-nos muitas vezes e eles dão sempre conselhos para evoluir. A canoagem é das modalidades mais inclusivas que existe, pois as condições são quase as mesmas", confessa.

Por Filipe Balreira
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