Foco nos objetivos num cenário inédito
Atletas portugueses continuam a preparação para os Jogos de Tóquio em contexto de pandemia
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A pouco mais de quatro meses do arranque dos Jogos Paralímpicos (24 de agosto a 5 de setembro), várias entidades continuam a preparar a competição e o Comité Paralímpico de Portugal (CPP) não foge à regra. O contexto de pandemia levou a que existissem mudanças em relação ao plano inicial traçado para os Jogos de Tóquio, mas o Coordenador do Programa de Preparação Paralímpica, Carlos Lopes, vinca que os atletas lusos conseguiram adaptar-se bem.
“Um grande desafio foi encontrarmos ajustes financeiros que permitissem ter verbas para o ano 2021 e para a missão paralímpica. Para os atletas colocaram-se desafios a dois níveis. Por um lado ter as condições adequadas de treino e competição, já que muitas piscinas, pistas ou pavilhões estiveram encerrados. Por outro lado, cada atleta teve de definir uma estratégia para se motivar”, explica o dirigente, frisando que o grande objetivo é que “os atletas cheguem a Tóquio nas melhores condições”.
Carlos Lopes (na foto) lembrou que a estadia dos atletas na aldeia paralímpica será curta e contará com várias restrições, algo também referido na reunião anual de atletas do Programa de Preparação Paralímpico Tóquio’2020.
Na reunião, a chefe da missão lusa, Leila Marques, explicou que quatro (boccia, atletismo, natação e ciclismo) das seis modalidades com presença já garantida nos Jogos terão de estagiar em Fujisawa a partir de 15 de agosto. Já a canoagem estagia em Komatsu, por motivos de logística, e a equitação cumpre uma quarentena em Colónia (Alemanha).
Até agora, Portugal tem garantida a participação de 27 atletas em Tóquio (10 no boccia, nove no atletismo, cinco na natação, uma na canoagem, uma no ciclismo e uma na equitação), sendo que no Rio’2016 esteve representado por 37. Sobre as restrições provocadas pela Covid-19, o paraciclista Luís Costa, que lidera a comissão de atletas paralímpicos, foi perentório. “Estamos mais preocupados com o facto de os Jogos se realizarem. Já estamos habituados a muitas das restrições”, assumiu.
Presidente aborda vacinação
Na reunião anual, o presidente do CPP, José Manuel Lourenço, explicou como será o processo de vacinação da missão aos Jogos. “Desde o início, temos mantido contactos com a DGS e com as secretarias de Estado do Desporto e da Inclusão para a criação de condições para a vacinação da missão. Ainda não temos data, mas acreditamos que possa ocorrer em tempo útil”, esclareceu o responsável do CPP.
Recrutamento tem de arrancar mais cedo
Apesar de destacar a evolução positiva das modalidades paralímpicas em Portugal, Carlos Lopes considera que é necessário conseguir atrair atletas numa fase mais precoce das suas vidas. “Cada vez mais, os atletas paralímpicos começam a competição numa fase tardia. Há pouco tempo o professor José Marmeleiro, da Universidade de Évora, fez uma investigação com atletas inseridos no projeto paralímpico e a média de idades era de 19 anos. Em média, começam a treinar tarde e isso tem de ser alterado. Queremos ter uma base maior de recrutamento”, analisou o coordenador, apontando soluções. “Temos de colocar o foco na família, escola, desporto escolar, clubes… Todos temos de criar uma rede que valorize e potencie a prática desportiva de jovens”, conclui.
A opinião de Luís Figueiredo*
No passado dia 10 foi promovida via Zoom uma reunião da Chefia de Missão com todos os atletas, guias e técnicos que estão integrados no Projeto de Preparação Paralímpica. As intervenções realizadas pelos elementos afetos ao Comité Paralímpico de Portugal tiveram como objetivo dar a conhecer os últimos desenvolvimentos da organização dos Jogos Paralímpicos Tóquio’2020.
Embora alguns céticos ainda não acreditem na realização dos Jogos, a competição vai mesmo realizar-se e o Comité Paralímpico de Portugal tem mantido a dinâmica de trabalho com o objetivo de garantir uma boa preparação da Missão. Aproximam-se as grandes decisões, neste mês de abril e o princípio do mês de maio receberemos a informação completa sobre o processo de vacinação e controlo e verificação das Missões dos vários países à chegada a Tóquio, estando confirmado que não haverá a presença de público estrangeiro nos eventos.
Uma realidade incontestável é que estes Jogos não serão em nada parecidos com o que habitualmente víamos e até mesmo o formato futuro da competição poderá vir a ser equacionado em próximos eventos como, por exemplo, Paris’2024. Para já, e tal como foi transmitido a toda a equipa presente nesta videoconferência, a data de partida da Missão Portuguesa para o estágio a realizar na cidade de Fujisawa foi retardada para 14 de agosto, com chegada à capital nipónica a 15 de agosto, onde dez dias mais tarde se iniciam os Jogos Paralímpicos Tóquio’2020.
*) Diretor Executivo da Missão Paralímpica Portuguesa a Tóquio’2020