José Manuel Lourenço: «O dinheiro ajuda a criar condições»

Líder do CPP aborda os 30 M€ aprovados pelo Governo para Paris’ 2024

FRONTAL. José Manuel Lourenço analisa momento do movimento paralímpico
FRONTAL. José Manuel Lourenço analisa momento do movimento paralímpico • Foto: Vitor Chi

Recentemente, o Governo aprovou uma verba global de 30 milhões de euros para os programas de preparação olímpica e paralímpica para Paris’2024. Apesar de ainda não serem detalhados os montantes atribuídos a cada uma das vertentes, a decisão merece o apoio de José Manuel Lourenço, presidente do Comité Paralímpico de Portugal, que deixa um alerta à aqueles que pensam que o reforço de 20% em comparação com Tóquio’2020, seja sinónimo de melhores resultados desportivos da delegação portuguesa em 2024.

“ Estamos habituados a que os portugueses tenham sempre a expectativa do pódio. Faz parte da nossa cultura e os atletas são estimulados por essa pressão. Contudo, gostaria de realçar que seria um erro deduzir que apenas o dinheiro é suficiente para conseguir o sucesso que todos pretendemos, pois ele deriva de uma boa preparação. Daqui a dois anos, eu gostaria de trazer um camião de medalhas, mas, infelizmente, a realidade é mais forte que o sonho. O aumento das verbas é importante porque vai ajudar, essencialmente, a criar melhores condições e infraestruturas para os competidores portugueses que têm estado em desvantagem em relação aos restantes nos últimos anos. O desporto, sobretudo paralímpico, não é alheio ao mundo que vive, atualmente, num processo inflacionário. Repare que no processo de qualificação para os Jogos, além de existir um número limitado de vagas, ele engloba custos financeiros. As Federações precisavam de apoio!”, apelou.

A crença no desporto paralímpico luso

Os recentes feitos desportivos de Filipe Marques, vencedor Taça do Mundo de Paratriatlo, e de Luís Costa, campeão do mundo de Paraciclismo, são valorizados por José Manuel Lourenço, que recusa que estes exemplos sejam vistos como atos isolados no desporto paralímpico português. “Em comparação com outras realidades europeias e mundiais, somos poucos, mas somos bons. Estes competidores demonstram a excelência de atletas que existe em Portugal. Estas conquistas simbolizam o bom aproveitamento dos recursos que temos à nossa disposição no alto rendimento. Tal como o Filipe e o Luís, existem outros que, mesmo não conseguindo o degrau mais alto do pódio, alcançam excelentes resultados em termos pessoais e nacionais. A mensagem que eles passam é que é preciso acreditar no desenvolvimento no desporto paralímpico”, sublinhou.

Maior intervenção das instituições

Nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, em 2021, Portugal apresentou 33 atletas, de oito modalidades. A escassez de participantes ano após ano é algo que preocupa José Manuel Lourenço. "O futuro está comprometido! As Federações desportivas devem continuar a apostar em programas de desenvolvimento que garantam contratos para pessoas com deficiência. Isso ia ajudar na descoberta de novos talentos nas mais diversas modalidades. Depois, nas escolas, penso que o Decreto-Lei n.º 54/2018, que estabelece os princípios e as normas que garantem a inclusão, não é posto em prática nas aulas de Educação Física, onde muitas vezes não existe uma resposta adequada aos alunos portadores de deficiência e logo aí esses mesmos indivíduos tendem a afastar-se da prática desportiva. A seguir, penso que seria importante o Ministério da Saúde envolver-se mais na questão de sensibilizar as famílias para a importância da prática desportiva nas pessoas portadoras de deficiência, explicar-lhes as inúmeras vantagens. As autarquias também possuem um papel decisivo no sentido que devem apostar na proximidade de relação com as pessoas com necessidades especiais, de forma a diminuir a discriminação. O investimento na acessibilidade das infraestruturas é vital para fomentar o crescimento de atletas".

Por Luís Mendes Júnior
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