José Manuel Lourenço: «Temos uma enorme margem de crescimento»

Presidente do Comité Paralímpico de Portugal destaca trabalho realizado

O Comité Paralímpico de Portugal celebrou ontem o seu 11º aniversário, em Portimão, ocasião aproveitada pelo presidente da entidade, José Manuel Lourenço, para fazer um balanço "muito positivo" do trabalho realizado.

"Há 11 anos apenas três federações olhavam para esta realidade e atualmente somente duas – futebol e raguêbi - não o fazem", diz, com regozijo, o líder do CPP, assinalando "melhorias muito significativas nas condições para a preparação dos atletas".

Ainda assim, garante o dirigente, "há muito trabalho por realizar, em particular no domínio das tecnologias aplicadas em várias modalidades. "E, ou acompanhamos o investimento que um número crescente de países está a fazer nesse domínio, ou ficaremos para trás".

Sessenta e sete atletas participam no programa de preparação paralímpica para os Jogos de Tóquio, a que se juntam as esperanças e ainda o projeto surdolímpico, num total de 80 atletas envolvidos no trabalho do Comité Paralímpico de Portugal. "Se levarmos metade ao Japão já será motivo para fazermos uma festa", assinala José Manuel Lourenço.

O dirigente vê "uma enorme margem de crescimento no paralimpismo, a nível nacional e internacional, enquanto o olimpismo já não pode crescer muito mais, e queremos aproveitar o mundo de oportunidades que temos pela frente, chamando gente mais nova (a média de idades da representação portuguesa no Rio’2016 foi de 34 anos) e, sobretudo, mais mulheres".

"Olimpismo e paralimpismo irão unir-se"

José Manuel Lourenço não tem dúvidas: os movimentos olímpico e paralímpico "tendem a unir-se e isso já sucede em alguns países, como os Estados Unidos, em que já existe apenas um único comité, ou a Holanda, em que ainda existem duas denominações mas no seio da mesma entidade". Para o dirigente do CPP, "as duas dimensões estão condenadas a unirem-se, pois estamos a falar do primeiro e segundo eventos multidesportivos mais importantes a nível mundial, havendo todo o interesse numa partilha e numa crescente comunhão de interesses". Porém, adianta o presidente do CPP, "nos anos mais próximos não acredito que os dois eventos possam realizar-se ao mesmo tempo, por envolverem diferentes realidades e, sobretudo, distintos interesses comerciais. Mas a vertente que mais está a crescer é, notoriamente, a paralímpica..."

Dia de festa na Cidade Europeia do Desporto

O 11º aniversário do Comité Paralímpico de Portugal foi marcado por uma jornada de propaganda de várias modalidades - oito ao todo - adaptadas a pessoas com deficiência, a qual contou com a presença do secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Paulo Rebelo. Basquetebol, andebol e ténis de mesa em cadeira de rodas, boccia, judo, canoagem, vela e ciclismo foram as atividades à disposição de um leque alargado de interessados, numa iniciativa que visou chamar mais gente para a prática desportiva.

Uma ação inserida na programação de Portimão Cidade Europeia do Desporto e que antecedeu a sessão comemorativa do 11º aniversário do CPP, na qual foram entregues medalhas de mérito aos atletas com lugares de pódio em grandes competições internacionais. Dos 12 distinguidos estiveram presentes apenas dois, Beatriz Monteiro (badminton) e Norberto Mourão (canoagem), uma vez que a esmagadora maioria pratica a modalidade de boccia e encontra-se em estágio, a preparar a participação na próxima edição da Taça do Mundo, já em outubro.

Jorge Pina, invisual paralímpico praticante de boxe e embaixador de Portimão Cidade Europeia do Desporto (tal como Rosa Mota), marcou presença durante todos os eventos de ontem.

Foi ainda entregue a cinco entidades o prémio inclusão pelo desporto.

Norberto feliz com mudança

Aos 38 anos, o paracanoísta Norberto Mourão... renasceu. "Depois de sete anos em caiaque passei para a canoa, com resultados que nem eu próprio esperava", assinala, orgulhoso pelos feitos alcançados, que incluem um segundo lugar no Campeonato do Mundo e um terceiro no Campeonato da Europa.

"Foi tudo muito rápido e muito bom!", refere o atleta, um dos candidatos às medalhas em Tóquio’2020. "Já garanti a presença no Japão, pois os seis melhores do Mundial eram apurados, e agora quero preparar-me da melhor forma possível", adianta.

Os progressos registados, reconhece Norberto Mourão, "devem-se em boa parte à mudança para o centro de alto rendimento de Montemor-o-Velho, onde trabalho arduamente de segunda a sábado, com excelentes condições". *

Ir a Tóquio é o sonho de Beatriz

Com apenas 13 anos e um só de prática de badminton paralímpico, Beatriz Monteiro já alcançou relevantes resultados internacionais, com destaque para o terceiro lugar no Europeu de 2018.

"Foi tudo muito rápido, mas tenho a vantagem de trabalhar num clube (Núcleo Sportinguista de Tires) que dedica grande atenção ao badminton e isso ajuda-me a crescer", refere a jovem praticante.

Já em 2019, Beatriz Monteiro não conseguiu passar da fase de grupos no Campeonato do Mundo, na Suíça, sem que isso a desanime. "Fiz bons jogos, assim como na Turquia e na Irlanda, e sei que mais conquistas virão", garante.
O foco está agora "nos Jogos de Tóquio, pois são seis apuradas e estou em 11ª, havendo ainda muitas provas pela frente. Se não conseguir, o sonho passará para Paris..."

Por Armando Alves
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