Marieke Vervoort: Conquistar o ouro e morrer
Vervoort, que se sagrou campeã no Jogos de Londres 2012, deseja realizar o suicídio assistido, vulgarmente apelidado de eutanásia
Seguir Autor:
Os Jogos Olímpicos arrancam esta sexta-feira na cidade do Rio de Janeiro. Mais tarde, entre 7 e 18 de setembro, a cidade brasileira vai acolher os Jogos Paralímpicos. Neles poderemos ver em ação Marieke Vervoort, atleta belga de 37 anos, que competirá nas provas de 100 e 400 metros. Uma velocista que sofre de uma doença degenerativa que a mantém paralisada da cintura para baixo e que chocou o mundo ao formular um simples mas macabro desejo – morrer depois dos Jogos Paralímpicos.
Vervoort, que se sagrou campeã no Jogos de Londres 2012, deseja realizar o suicídio assistido, vulgarmente apelidado de eutanásia, por já não aguentar a vida difícil que leva: "O Rio é o meu último desejo. E espero acabar a carreira no pódio. Começo a pensar na eutanásia, sabendo que apesar da minha doença, vivi coisas que outros nem podem sonhar."
A ligação com o desporto existe desde que era miúda. Sagrou-se bicampeão de triatlo e até participou no exigente Ironman, prova extrema de resistência. Contudo, em 2008, o seu mundo ruir. Foi diagnosticada com uma doença degenerativa que a arrastou para uma cadeira de rodas e a deixou com graves problemas psicológicos. Mas não
vergou...
Praticou basquetebol, golfe, esgrima, surf, triatlo e esqui, sempre na cadeira de rodas, até descobrir que tinha talento para a velocidade. Em Londres ganhou o ouro nos 100 metros e a prata nos 200 e 400 metros. Uma verdadeira estrela do universo paralímpico.
O sonho e a vontade
Contudo, apesar de toda a boa disposição rumo aos Jogos Paralímpicos, a dor e tristeza que sente obrigou a tomar uma decisão radical. A eutanásia é legal na Bélgica desde 2002 e Vervoort já solicitou às autoridades responsáveis o suicídio assistido depois da grande competição.
"Toda a gente me vê a rir com a medalha de ouro, mas ninguém vê o lado negro. Durmo 10 minutos por noite por causa das dores, desmaio sozinha em casa e sou acordada pelo meu cão. Ninguém percebe o que passo a cada dia", revela.
Marieke Vervoort, uma campeã que sonha conquistar o ouro no Rio e depois deixar de sofrer.