Pedro Félix: «Vou manter os pés bem assentes no chão»

Jovem cavaleiro revela cautela sobre a estreia no Mundial, que decorrerá de 6 a 14 de agosto na Dinamarca

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Aos 22 anos, Pedro Félix prepara-se para fazer a estreia no Campeonato do Mundo de paradressage, que vai decorrer em Herning, Dinamarca, entre 6 e 14 de agosto. Ao nosso jornal, o jovem cavaleiro, portador de uma deficiência motora, admite que vai ser difícil conquistar uma medalha, mas que isso não lhe retira o desejo de competir e lutar pela mesma.

"Sou uma pessoa muito ambiciosa. No entanto, vou manter os pés bem assentes na terra e a cabeça no lugar, para ter o melhor lugar possível. Como vai ser o meu primeiro Mundial, tenho as expetativas de alcançar um bom desempenho e representar Portugal da melhor maneira. Prevejo que haverá concorrentes com uma elevada técnica e experiência. Existem vários fatores que me vão dificultar a chegada ao pódio, mas mantenho a ideia de que nada é impossível", assegura o atleta, que explica como a relação com o cavalo (chama-se Grijó e é de raça lusitana) é muito importante em competição.

"Como sou o único que o trabalho, ele acaba por ter mais confiança em mim e dessa forma vai-me demonstrando quais são as necessidades dele. Começas a saber interpretar os sinais relativamente à saúde, se come tudo, bebe, como estão os cascos e o pelo. Diariamente, observas se ele está com energia ou cansado. Isto são tudo pontos importantes a verificar, pois eu dependo muito do desempenho dele para o sucesso em prova. A equitação é uma arte que esconde centenas de horas de trabalho e dedicação", afirma Pedro Félix.

O sonho dos Jogos Paralímpicos 2024

Depois da estreia em mundiais, Pedro Félix revela o sonho de competir por Portugal em Paris’2024. "Não escondo que é uma meta a concretizar. Com o passar do tempo e com o desenvolvimento do trabalho do cavalo, temos vindo a ficar cada vez mais contentes, pois existe uma evolução positiva. Todavia, ainda há muito trabalho pela frente e muito para melhorar. Faltam dois anos, mas eu juntamente com a equipa que me apoia, diariamente, acreditamos que iremos marcar presença e representar bem Portugal", afirma o campeão nacional de paradressage de 2021, que espera acabar a faculdade até a data de início dos Jogos Paralímpicos. "Estou no segundo ano de Enfermagem Veterinária na Escola Superior Agrária de Coimbra. É difícil conciliar as duas coisas. A rotina passa por ir às aulas, trabalhar o cavalo e estudar á noite. Nada se faz sem esforço" , conclui.

A falta de apoios na modalidade

O orgulho e a satisfação de representar Portugal ao mais alto nível internacional não impedem que Pedro Félix aponte a falta de atenção e apoios às diversas modalidades paralímpicas no nosso país. "É uma coisa que nos incomoda! No caso da paradressage, parece-me que é uma área em crescimento e as pessoas têm de ver e perceber melhor para poderem contribuir, de modo a apoiar os atletas. Isto porque acredito que há muita gente que tem possibilidades financeiras de ajudar, mas, muitas vezes, falta-lhes chegar essa informação. A divulgação e a explicação do que se trata é um primeiro passo muito importante, pois irá tirar dúvidas, preconceitos e, posteriormente, conseguir futuros atletas, investidores e patrocinadores", observa o atleta, que não acredita na profissionalização, que já se vai tornando regra entre os atletas das principais potências paralímpicas.

"Era desejável, mas para a realidade portuguesa ainda temos muito a batalhar. Não existe cultura desportiva no nosso país, o paradigma do desporto gira em torno do futebol. A paradressage é distinta da equitação adaptada e da dressage. A falta de objetividade nas técnicas que têm de ser aplicadas e de um adequado ajuste nas necessidades dos atletas, faz com que haja dificuldade em permanecer na competição, limitando a evolução", vinca.

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