Ana Cabecinha despediu-se emocionada: «Últimas 3 voltas foram muito difíceis do ponto de vista emocional»
Marchadora concluiu hoje os seus quintos Jogos Olímpicos e colocou ponto final na carreira
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Aos 40 anos, três meses depois de ter sido mãe, Ana Cabecinha colocou um ponto final na sua carreira competiva. Fê-lo em Paris, nos seus quintos Jogos Olímpicos, numa prova de 20 quilómetros marcha que, para lá da dificuldade inerente, teve ainda uma grande carga emocional.
"Foi muito difícil em todos os sentidos. A nível físico, porque em dois meses e meio não se prepara uma prova de 20 quilómetros, muito menos depois de ter sido mãe. O meu intuito sempre foi acabar, nunca o resultado. Já parti com esse cuidado. Mas depois dos 15 quilómetros foi muito sofrido... A cada volta ver o meu bebé na parte de fora dava-me motivação extra para fazer mais uma volta e mais uma volta. Concluí os meus quintos Jogos Olímpicos, não da melhor maneira que tínhamos prevista. Mas foi o que se conseguiu arranjar, porque a melhor medalha está fora deste percurso", assumiu a portuguesa, 43.ª na prova de hoje, que foi o ponto final na sua carreira profissional.
"Foram os meus últimos 20 quilómetros marcha, o último sino em grandes provas internacionais... As últimas três voltas foram muito difíceis do ponto de vista emocional, porque é difícil. São 28 anos, mas estou muito feliz! É muita emoção. São muitos anos, muitos grandes campeonatos, muito ano a andar na frente. Hoje foi só desfrutar da prova. E ir gerindo as emoções no final, sabia que me ia emocionar. É uma despedida, é sempre duro."
Apesar de ter sido a última a concluir, Ana Cabecinha foi saudada como se tivesse sido a vencedora e isso, assume, é especial. "Foi muito importante e muito bom. É bom saber, um reconhecimento de todo o Mundo pelo meu trabalho e carreira até ao dia de hoje".
A fechar, a alentejana só lançou um desejo: ir ter com o seu bebé. "Estava ao pé do abastecimento, não o deixaram vir para cá. Mas ainda lhe dei um beijinho e agora estou desejando de abraçá-lo. É o que mais quero."
Ana Cabecinha despede-se com três presenças no top-10 final de Jogos Olímpicos, com dois sextos lugares, em 2012 e 2016, e ainda um oitavo, em 2008. Foi ainda 4.ª nos Mundiais de 2015, 5.ª nos de 2011 e 6.ª nos de 2017 e 2013; e ainda 6.ª nos Europeus de 2014. Ficou a faltar a medalha internacional, mas esse é apenas um detalhe numa carreira tão bem conseguida de uma das melhores e mais reconhecidas marchadoras mundiais.