Nelson Évora: «Um velho conseguiu ser o melhor da Europa nos Jogos»

Saltador lembrou todo o esforço e classificou o 6.º lugar como a "medalha da época"

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• Foto: Lusa
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O atleta português Nelson Évora classificou como a medalha da sua temporada o sexto lugar na final do triplo salto dos Jogos Olímpicos Rio'2016, na qual foi o melhor europeu.

"Foi a minha medalha desta época, sem dúvida. Depois de um ano com tantas dificuldades em encontrar bons saltos, consegui ter alguma consistência e arrisquei. Quem não arrisca não petisca, não foi uma prova em que conseguisse acertar nos últimos três ensaios, que foram nulos, mas eram saltos melhores. Faltou um pouco mais de consistência", assumiu.

Com um salto de 17,03 metros à terceira tentativa, o campeão olímpico de Pequim'2008 acabou na sexta posição, depois de ter conseguido 16,90 e 16,93 nos primeiros ensaios e ter feito três nulos nas derradeiras tentativas. "Eu cheguei a pensar sempre na medalha, não me deixei intimidar muito [pelas marcas iniciais dos três medalhados]", disse o campeão olímpico de Pequim2008, que viu o norte-americano Christian Taylor revalidar o título, com 17,86 metros, e, tal como em Londres2012, ficar à frente do compatriota Will Claye, com 17,76, com o chinês Dong Bin a fechar o pódio, com 17,58.

Boa reação ao cansaço

Com a final do triplo salto a disputar-se de manhã, menos de 24 horas depois do final da qualificação, Nelson Évora disse ter tentado "combater o cansaço de dois dias de prova seguidos, com um 'stress' enorme, muita emoção", considerando que reagiu bem, "embora tivesse projetado mais" do que conseguiu.

"Tentei deixar tudo fluir. Nestes últimos ensaios foi o que procurei, tentei não me preocupar com a tábua e tentei colocar todos os meus segredos de salto, tentei pô-los em prática e saltar longe", referiu.

Melhor entre os europeus

Na final, Nelson Évora foi o único europeu a entrar nos três saltos finais, destinados aos oito primeiros, algo que lhe podia ter dado "o título europeu há um mês atrás", dizendo que, "para aqueles que achavam que não, um velho conseguiu ser o melhor da Europa aqui nos Jogos".

"Mas foi uma boa prova, tenho de ficar feliz. Sem dúvida ambicionava mais, o meu treinador espelhou um pouco isso. Disse-lhe para ficar contente, porque não se fazem milagres, tentámos fazer o melhor em nome de Portugal, por nós próprios, por tudo aquilo que passámos, por isso, valeu a pena toda essa luta", afirmou.

Para o atleta do Benfica, o 17.º lugar nos últimos Europeus "foi um percalço, um acidente", admitindo que falou alguma consistência ao longo da temporada.

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