100 dias contra o relógio

Contagem decrescente

• Foto: Reuters

Em outubro de 2009, com Europa e Estados Unidos da América em plena crise financeira, o Comité Olímpico Internacional (COI) entregava ao emergente Brasil a tarefa de organizar os Jogos Olímpicos de 2016. Sete anos depois, a realidade mudou. O Brasil enfrenta a pior crise política desde a ditadura militar e uma profunda recessão económica, que apenas encontra paralelo nos anos 30. E é neste cenário de incerteza que o Mundo marca os 100 dias para o arranque dos Jogos do Rio de Janeiro, que vão juntar as maiores estrelas do desporto mundial de 5 a 21 de agosto.

A partir do dia de hoje, o Brasil entra em contrarrelógio para os Jogos e as questões que se levantam são mais que muitas. Estará ainda Dilma Rousseff à frente do Palácio do Planalto na cerimónia de abertura, no Maracanã? Conseguirá o Rio recuperar do atraso de algumas das infraestruturas essenciais para os Jogos? E o vírus Zika, será uma ameaça?

O discurso oficial do COI é, para já, tranquilizador, apesar das evidentes preocupações dos responsáveis. "Sabemos que a situação económica e política atual vai colocar desafios à preparação final dos Jogos. Mas, apesar destes desafios, permaneço confiante de que os Jogos Olímpicos do Rio serão verdadeiramente espetaculares", sublinhou o líder do COI, Thomas Bach, na ressaca da votação da Câmara dos Deputados, que disse sim ao processo de destituição de Dilma.

Instalações encaminhadas

Ao longo destes sete anos, o atraso nos trabalhos das instalações do Parque Olímpico foi uma preocupação constante, mas a verdade é que 98% das obras já estão terminadas, de acordo com informação do Comité Organizador. Ainda assim, o Velódromo está apenas 83% concluído, o que levou ao cancelamento do test-event de ciclismo de pista, em março.

O problema foca-se agora nas infraestruturas de apoio, como a linha 4 do Metro. O município do Rio de Janeiro promete que a obra estará em funcionamento, mas as estações mais próximas dos pavilhões olímpicos só deverão abrir... seis meses depois do fim dos Jogos.

A queda da ciclovia junto à Avenida Niemeyer, que provocou dois mortos na semana passada, ou o falhanço na despoluição da Baía de Guanabara, ficarão também como momentos negros nesta caminhada para o Jogos.

Venda de bilhetes abaixo do esperado

Quando faltam pouco mais de três meses para o tiro de partida dos Jogos Olímpicos, a venda de bilhetes não tem correspondido ao esperado. Menos de dois terços das entradas estão vendidas, com a organização a admitir que o Brasil "ainda não acordou para os Jogos". As razões passam também pelo receio do vírus Zika, que já infetou mais de 1,5 milhões de brasileiros, bem como da violência. Para os que vêm de fora, em nada ajudam os preços exorbitantes dos hotéis e das passagens aéreas. O Comité Organizador aposta numa corrida aos bilhetes nesta reta final, mas muitos pavilhões terão cadeiras vazias... 

Por Lídia Paralta Gomes
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