Desfile de estrelas

As duas grandes figuras dos jogos no Rio

BOLT

O homem que treina Usain Bolt desde os seus 18 anos sabe que este é o maior desafio da carreira daquele que é considerado o melhor atleta do planeta: repetir as três vitórias de Pequim e Londres no Rio de Janeiro nos 100, 200 e 4x100 metros.

É por essa razão que Glen Mills tanto tem insistido com Bolt nas últimas semanas. Aos 66 anos, o treinador faz as advertências de quem tem muitos anos de experiência no terreno e está habituado a ver surpresas, por vezes quando menos se espera. "Quando se é mais velho, mais difícil é a recuperação e é preciso mais trabalho", confessa Bolt, que acredita em tudo o que lhe diz o treinador: "Ele não me quer com um ar preocupado e com dúvidas na cabeça. Se estiver em forma, sei que é difícil alguém bater-me", reconhece o recordista mundial dos 100, 200 e 4x100 metros.

Bolt vai completar 30 anos no próximo dia 21, uma semana depois da final dos 100 metros, e tudo indica que poderá voltar a ganhar, apesar de ter apanhado um valente susto há dois meses com uma lesão na coxa, que lhe cortou a programação de meetings na Europa.

Mas uma fugaz presença em Londres, a 22 de julho, terá acabado com muitas das dúvidas: 19,89 na única prova que fez na temporada em 200 metros. Bolt suspirou de alívio, o seu treinador também e os milhares de adeptos estão mais confiantes para o grande desafio que o jamaicano tem pela frente. "Sei que estou bem, preciso apenas de provas", disse Bolt antes de chegar ao Rio de Janeiro.

O homem mais rápido do Mundo aparece como o quarto da lista nos 100 metros com 9,88 segundos, um tempo apenas de referência e que pode colocar em alerta outro veterano, o norte-americano Justin Gatlin, líder da distância em 2016 com 9,80. Gatlin, de 34 anos, foi campeão olímpico em Atenas (2004), onde bateu Francis Obikwelu, mas seria apanhado com doping duas vezes. É a última oportunidade que tem para entrar na história se derrotar Usain Bolt...

No Rio de Janeiro não estará em causa a superação dos recordes mundiais na velocidade pura. Mas até que ponto Usain Bolt não quererá despedir-se com mais três medalhas de ouro, melhorando os seus próprios recordes mundiais?

As eliminatórias dos 100 metros já darão uma pequena ideia da condição física em que estarão os rivais de Bolt. Depois, na chamada fase seletiva, o importante é poupar energias para a final. E aí, isso sim, será dia de festa para aquele que ganhar. Mas para bater o recorde de Bolt só o próprio Bolt...

E se, por acaso, perder a final? Poderá perder o estatuto de melhor atleta de sempre? "No futebol pode discutir-se quem é o melhor de sempre. No atletismo, há marcas, recordes. Acho que as minhas marcas vão durar muitos anos. Será preciso esperar muito tempo para encontrar alguém que as possa superar. Trabalho para ser um ícone", assevera Bolt.

PHELPS

Michael Phelps não vai ao Rio à procura de recordes: já os bateu todos. Aos 31 anos, o atleta mais medalhado de sempre na história dos Jogos Olímpicos (22 medalhas, 18 delas de ouro) chega ao Rio em busca de redenção, depois de quatro anos em que a sua vida mais se assemelhou a uma montanha-russa. O miúdo tímido de Baltimore nunca havia sido um verdadeiro exemplo fora das piscinas: aos 19 anos foi preso por conduzir sob o efeito de álcool e cinco anos depois admitiu ter fumado drogas numa festa universitária. Mas o fim da disciplina da competição, que se seguiu ao abandono após Londres’2012, foi demasiado penoso para Phelps, que entrou numa espiral de depressão que culminou com novos problemas com as autoridades devido ao consumo de álcool. Mais tarde, numa entrevista à ‘Sports Illustrated’, haveria de confessar a passagem por uma clínica de desintoxicação. "Estava num momento muito obscuro da minha vida", afirmou. Em setembro de 2014, quando foi preso na sua cidade natal por conduzir embriagado (mais uma vez), já Phelps tinha anunciado o regresso às piscinas. Mas a federação norte-americana não foi em cantigas: suspendeu o nadador por 6 meses, impedindo Phelps de participar nos Mundiais de Kazan, em 2015.

A resposta foi clara e inequívoca. Ao mesmo tempo que os rivais competiam em Kazan, em San Antonio, nos Campeonatos Nacionais norte-americanos, Phelps respondia com as melhores marcas do ano nos 100 e 200 mariposa e nos 200 estilos. E são estas as três distâncias individuais que vai nadar nos Jogos do Rio, às quais vai juntar a estafeta 4x100 estilos. Um calendário mais curto do que o normal, porque aos 31 anos o próprio Phelps admite que o corpo já não responde da mesma maneira. Mas tal como disse em entrevista ao ‘El País’, "é para ganhar quatro ouros".

A motivação de Phelps é, por estes dias, muito diferente da de Atenas’2004, Pequim’2008 ou Londres’2012. No Rio de Janeiro, o maior ganhador da história olímpica não tem nada a provar, a não ser que é um novo homem. Um homem renascido que virou o foco quando a mulher Nicole o encostou à parede e perguntou se queria ver os Jogos pela televisão ou dentro de uma piscina, no Rio, e que quer nadar por uma última vez para um dia o filho Boomer, de três meses, poder dizer que estava lá quando o pai ganhou as derradeiras medalhas de ouro. E pelo caminho, pode tornar-se no nadador mais velho de sempre a vencer uma prova individual nuns Jogos Olímpicos, um recorde com quase 100 anos (!). Em Antuérpia’1920, o havaiano Duke Kahanamoku ganhou os 100 livres aos 30 anos.

Nos últimos quatro anos, Phelps esteve no céu, desceu aos infernos e agora vai de novo atrás da glória. Mesmo que nada ganhe no Rio, será sempre uma das figuras dos Jogos. Os últimos, agora sim.

Por Norberto Santos e Lídia Paralta Gomes. Rio de Janeiro. Brasil
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