Póquer lança Etebo para o estrelato
José Mota viu em poucos dias que ele “é diferente” e no domingo seguinte deu-lhe logo a titularidade.
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O nome do Feirense está a circular pelos quatro cantos do Mundo graças ao póquer que Etebo assinou na estreia nos Jogos Olímpicos. O avançado nigeriano bateu mesmo o recorde do mítico Nwankwo Kanu que em Atlanta (1996) marcou por três vezes ao serviço das Super Águias. Mas quem é este herói da vitória por 5-4 sobre o Japão?
Record foi tentar descobrir um pouco mais sobre o jovem avançado, de apenas 20 anos, que chegou a Santa Maria da Feira em abril do ano passado. "Eu não o conhecia e nem sabia que ele tinha contrato com o Feirense. O presidente apresentou-nos e eu chamei-o aos treinos. Em poucos dias, vi logo que ele era um jogador diferente. Convenceu-me tanto ao ponto de lhe ter dado a titularidade no jogo seguinte e repare que ele tinha acabado de chegar de África, não conhecia os colegas e nós estávamos a lutar pela subida", recorda José Mota.
Peter Etebo Oghenekaro, então com 19 anos, chegou a ser oferecido, a custo zero, ao Paços de Ferreira, mas o seu nome foi vetado, mesmo tendo sido eleito o talento mais promissor de África, um ano depois do portista Brahimi. O Feirense ficou com ele e, ultrapassadas algumas burocracias, o avançado chegou ao clube no tal mês de abril. "Ele tem uma ótima relação com a bola. É um jogador muito rápido, ágil e forte num 1x1. Chega com facilidade perto da baliza e remata bem. O Etebo entende o jogo como poucos e até em termos defensivos é muito forte", prossegue José Mota, acrescentando que o nigeriano pode jogar na frente de ataque, mas que será nas alas, fruto do maior espaço, que o seu rendimento pode ser maior.
Com contrato até 2019, Etebo não tem cláusula de rescisão, mas, depois dos quatro golos nos Jogos, terá, certamente, muitos olhos nele. "Eu conto com ele! Já na pré-época estava a mostrar veia goleadora. Trabalhou muito e foi com ‘bagagem’ para os Jogos", termina José Mota.
Olho de Calisto não enganou
O homem que descobriu Etebo na Nigéria cresceu nos balneários a ouvir palestras e cedo entrou nas peladinhas com jogadores profissionais. Já adulto, Tiago Calisto – filho do professor Henrique Calisto – dedicou-se ao agenciamento e apostou em África para rechear a carteira da sua empresa. Anderson Esiti (médio-defensivo do Estoril que chegou a ser negociado pelo Sporting) foi uma das suas maiores descobertas, mas na 1.ª e 2.ª Liga também já colocou outros africanos com ambição de chegar a patamares mais altos, casos de Kizito (Rio Ave), Fatai (P. Ferreira), Abalo (Leixões) ou Ogana (Sp. Braga B). A estes junta-se Etebo, o tal do póquer nos Jogos Olímpicos...