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Oksana Chusovitina: Corageme talento sem limite de idade

Compete aos 41 anos com rivais que poderiam ser... suas filhas

• Foto: Reuters

Entre os milhares de atletas que por estes dias vão iniciando mais uma participação no maior evento desportivo do Mundo, Oksana Chusovitina é uma daquelas que tem uma carreira mais recheada de histórias memoráveis para contar.

Aos 41 anos, a ginasta nascida em Bucara, no Usbequistão, confirmou ontem a sua sétima participação em Jogos Olímpicos, com a particularidade de já ter representado três países diferentes: além da sua nação de nascença, Chusovitina chegou ainda a representar a União Soviética, em Barcelona’1992, e até... a Alemanha. Tudo por causa de uma doença grave do filho, Alisher, agora com 17 anos, que esteve entre a vida e a morte em 2006 devido a leucemia e necessitou de se submeter a tratamento em solo germânico.

Sem dinheiro para financiar esses tratamentos, a atleta aceitou uma bolsa da Federação Alemã e obteve nacionalidade do país: a parceria foi o sucesso duplo: o filho ficou totalmente recuperado e a ginasta conquistou uma medalha de prata pela nação que a adotou no salto de cavalo nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, fechando com chave de ouro um ciclo olímpico que começou em drama e acabou em glória.

"O meu filho é a minha maior inspiração e a ginástica é a minha vida. A minha família ficou no Usbequistão, mas ligam-me todos os dias. Querem saber tudo, especialmente o meu filho, que está muito entusiasmado", confessa a atleta mais velha entre todas as que entraram em prova na fase de qualificação da ginástica.

A ginasta desvaloriza o facto de boa parte das suas rivais serem da idade... do seu filho. "No pódio, somos todas iguais. Com 40 ou com 16 anos. Mas claro que era bom que a idade desse pontos", gracejou Chusovitina.

No primeiro dia de provas no Rio de Janeiro, a usbeque terminou entre as primeiras classificadas na fase de qualificação dos dois aparelhos onde é mais forte: a trave e, claro, o salto de cavalo, disciplina em que já subiu ao pódio em anteriores olimpíadas.

A veterana usbeque espera agora apresentar-se ao seu melhor nível nas finais individuais até porque, garante, esta deverá ser - finalmente - a sua última participação em Jogos Olímpicos. "Adoro a modalidade, adoro competir, faz-me sentir viva e muito bem, mas tenho a noção das limitações do meu corpo. Dificilmente estarei em Tóquio", assumiu.

Por José Morgado
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