Com vantagem por yuko desde bem cedo, Telma Monteiro foi gerindo o combate e foi já num momento de desespero que a romena Corina Caprioriu decidiu atacar forte à procura de pontuar. Naquele movimento, Telma Monteiro ficou muito queixosa do ombro, um momento que marcou a judoca nacional, que esta segunda-feira alcançou o bronze olímpico.
"Senti medo. Às vezes queixo-me... Mas hoje era verdade. Ela tentou ser agressiva a fazer a chave e lesionou-me no ombro. Ainda dói, mas com a medalha até podia saltar o ombro... não me importava!", atirou à RTP.
Mais tarde, aos jornalistas, reforçou essa ideia. "Acho que lixei o ombro, mas isso agora. Eu se fosse de cadeira de rodas com a medalha era indiferente. Vou demorar algum tempo a assimilar este momento. Não se trata apenas de ganhar uma medalha que eu queria muito, é um momento em que aproveito para dizer que vale a pena não desistirmos dos nossos sonhos, vale a pena lutarmos. Não interessa a idade, não interessa o tempo que temos de esperar, o mais importante é não desistir. Já perseguia esta medalha há 12 anos. Costuma dizer-se que à terceira é de vez, à quarta é medalha."
O facto de ter sido afastada da disputa pelo ouro ficou esquecida: "Isso para mim agora não é importante. As coisas acontecem como têm de ser e o mais importante foi que soube reagir. Há oito anos, em Pequim, eu não tive essa maturidade, perdi na repescagem porque estava obcecada com a medalha de ouro. Hoje não, hoje sabia que o mais importante era fazer história pelo meu país, independentemente de tudo, e, portanto, quando perdi com a mongol, tendo sido por pouco, no ‘golden score’, pensei: ‘o judo é assim e agora não posso desistir’. Tinha à frente a francesa campeã da Europa, que já me ganhou algumas vezes, mas treinei muito para poder vencer aquela adversária e disse à minha equipa que se eu conseguir vencer a francesa, levo a medalha para casa."