Diogo Carvalho quer nadar para a meia-final dos 200 estilos

16º lugar é objetivo para esta edição dos Jogos

Diogo Gonçalves
• Foto: Simone Castrovillari/FPN

O experiente Diogo Carvalho vai nadar os 200 metros estilos masculinos no Rio'2016 com as meias-finais em mente, uma meta que trabalhou nos últimos quatro anos, praticamente desde que saiu das piscinas em Londres'2012.

"[Estar nos terceiros Jogos Olímpicos] É uma sensação um pouco diferente dos primeiros e dos segundos. A primeira é sempre a primeira. É tudo grandioso, é tudo a primeira vez. Agora, estou um pouco mais experiente, mais sensato e mais entendedor daquilo que me vai aparecer pela frente", assumiu à agência Lusa, apontando a cerimónia de abertura de Pequim'2008 como a sua melhor recordação olímpica e a não qualificação para a meia-final, por oito centésimos, nessa edição, como a pior.

Durante anos, o nadador do Clube dos Galitos foi a figura mais proeminente da natação nacional, mas a ribalta não o mudou. Educado e disponível, Diogo Carvalho é pragmático a traçar o roteiro para o Rio'2016: "Nós temos como meta o 16.º [lugar] e estamos a trabalhar para que isso aconteça".

Desengane-se quem pensa que o trabalho de que o nadador português fala se resume às 30/35 horas que, por estes dias, passa nas piscinas. A missão Rio'2016, para si, começou quase no momento em que deu por terminada a sua prestação nos 200 estilos, com o 18.º lugar, tal como em Pequim'2008, no Centro Aquático de Londres.

"Depois de arejar um bocadinho a cabeça tivemos que voltar ao trabalho. É claro que o objetivo seria o Rio'2016. No entanto, tivemos outros campeonatos, em que tínhamos como objetivo alcançar finais, medalhas ou recordes nacionais. Foi tudo uma preparação para estes Jogos Olímpicos e correu dentro dos planos", descreveu, reconhecendo que a partir do momento em que alcançou o mínimo olímpico, há cerca de ano e meio, prosseguiu a preparação mais tranquilo.

O medalha de bronze nos estilos dos Europeus Piscina Curta de Netanya, Israel (2015), sabe que, nem sempre, o público que a cada quatro anos sintoniza a emissão olímpica percebe os sacrifícios que foram feitos para chegar aos Jogos Olímpicos

"São quatro anos, em que, seis vezes por semana, se treina cinco, seis horas por dia. É isso que os nadadores passam: muito sofrimento para chegar ao melhor nível", salientou.

No seu caso particular, a dedicação à natação foi ainda mais longe, ao ponto de o levar a emigrar para os Estados Unidos, mais concretamente para a Florida, onde foi orientado durante seis meses pelo treinador de Ryan Lochte, recordista mundial dos 100 e 200 estilos.

"Cresci como nadador, como pessoa, como cidadão na sociedade. Foi uma experiência completamente diferente do que estava habituado aqui, sobretudo ao nível do volume de treino. As pessoas que nos englobavam eram extraordinárias. Fora da piscina, foi uma experiência completamente à parte. Os Estados Unidos são uma superpotência mundial a todos os níveis", recordou o 'dono' de vários recordes nacionais, entre os quais os 100 e 200 estilos.

Habituado à solidão das piscinas, mas também à do protagonismo mediático, Diogo Carvalho vê com bons olhos a ascensão do amigo Alexis Santos, medalha de bronze na 'sua' especialidade nos últimos Europeus de piscina longa, disputados em Londres, Reino Unido, considerando que a 'rivalidade' os torna melhores atletas.

"Não é só uma rivalidade. Somos grandes amigos fora da natação e penso que isso é extremamente saudável para nos fazer evoluir. Treinamos muitas vezes juntos, partilhamos sempre o quarto fora da piscina, partilhamos muitas experiências dentro e fora de treino, e penso que isso nos faz crescer enquanto nadadores", defendeu.

Com os dois apurados para os 200 estilos, poderá a final ser um objetivo real? "Ainda é um sonho [a final], mas os sonhos são para se concretizar, não é? Não sei o que acontecerá", respondeu.

Mas, segundo Diogo Carvalho, para que tal aconteça seria necessário, sobretudo, profissionalizar a natação.

"Não há, neste momento, nenhum nadador dedicado a 100 por cento à natação. Penso que treinadores também há muito poucos. [A natação] ainda é vista como uma modalidade um pouco amadora, o que é uma realidade que não tem nada a ver com o panorama internacional. Como Espanha, Estados Unidos, Austrália, Japão. Ou a Holanda, que é um país bastante pequeno, com uma população bastante reduzida e tem uma natação fortíssima, um futebol, um basquetebol fortíssimos", sublinhou.

Por Lusa
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