Guerra fria na... água

Efimova ouve assobios, mas agarra prata e acaba ‘atacada’ por Lilly King e Michael Phelps

• Foto: EPA

Entre 1945 e 1991, Estados Unidos e União Soviética estiveram em confronto na Guerra Fria. Mas isto não é uma aula de história, caro leitor. Só que esse espírito parece ter ressuscitado após Yulia Efimova ter conquistado a medalha de prata nos 200 metros mariposa. Tudo porque a nadadora não podia estar mais ligada ao escândalo de doping que assolou a Rússia. Mas já lá vamos.

A verdade é que Efimova foi muito assobiada sempre que saltou para a piscina e chegou a não conseguir controlar as lágrimas. Na final, até chegou a estar na frente, sempre com o público contra, mas a norte-americana Lilly King foi mais forte e venceu com 1.05,70 minutos, apenas com menos dois centésimos do que a russa. Só que King, ontem uma rainha, deixou duras críticas a Efimova, lembrando o histórico de doping da 2ª classificada: Yulia esteve suspensa entre outubro de 2013 e fevereiro de 2015 por ter acusado esteroides e, mais recentemente, foi apanhada com meldonium. Só que a FINA considerou que não era possível provar que o uso tinha sido feito depois de a substância passar a ser proibida.

"Abana o dedo a dizer que é a número um e foi apanhada a fazer batota. Se é isso que ela pensa que tem de fazer para competir... tudo bem, não quero saber. Mas não sei, pessoas que foram apanhadas não deviam fazer parte dos Jogos. Eu estou aqui para competir limpa", criticou King, de apenas 19 anos.

E a verdade é que a norte-americana ganhou um aliado de peso, quando o campeoníssimo Michael Phelps fez mira a Efimova: "Há quem teste positivo e ainda volte ao desporto. Acontece várias vezes e nem é só na natação. É triste, estraga o desporto e irrita-me."

A voz da defesa

Perante a ‘ofensiva’ norte-americana, Yulia Efimova alinhou os tanques e tentou defender-se. "Fui banida durante 16 meses por erros meus. Na segunda vez, não tive culpa. Tomei algo que todos os atletas tomavam e depois foi banido. Só que demora seis meses a sair do organismo. É culpa minha?", atirou a nadadora, de 24 anos, antes de lembrar... a nossa mini ‘lição de história’. "Sempre pensei que a Guerra Fria era uma coisa do passado. Porque é preciso revivê-la, agora a usar o desporto para isso?", questionou.

Por Pedro Gonçalo Pinto
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