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Presidente do COP refere que Bragançarecebeu verbas da federação com atraso

Líder do Comité rejeitou que os apoios públicos justifiquem os resultados

• Foto: COP
O presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) revelou esta segunda-feira que o atleta Rui Bragança recebeu algumas verbas da federação com atraso, mas rejeitou que os apoios públicos justifiquem os resultados globais aquém do esperado nos Jogos Rio'2016.

"O Rui Bragança recebeu durante o projeto de preparação olímpica a bolsa mais elevada que nós temos. Recebeu aquilo que decorre da qualidade e do mérito desportivo alcançado. Ele é atleta de nível 1, recebeu essa bolsa diretamente, foi-lhe entregue regular e mensalmente. Além disso, a federação recebia uma bolsa para a preparação do atleta e uma parte significativa dessa bolsa não chegou atempadamente ao atleta", disse José Manuel Constantino, em entrevista à Lusa.

Nono classificado na categoria de -58 kg no taekwondo, o vimaranense, finalista do curso de medicina, afirmou que não estava disposto a continuar para Tóquio'2020 se não tivesse outras condições, sublinhando que devia aos pais o facto de estar no Rio de Janeiro.

"Fomos alertados para esta situação cerca de três meses antes por parte dos pais do atleta (...). Imediatamente, interviemos junto da federação, pedindo garantias de que situações de transferências futuras chegariam ao atleta. Ficou por resolver o problema anterior. Mas isto também decorre do facto de ter sido estabelecido entre os atletas e a federação um regime perfeitamente diferente do que vigora nas outras federações, em que os atletas fazem adiantamentos no pagamento das suas despesas de preparação e depois a federação vai, regularmente e atempadamente, regularizando a situação, o que não ocorreu", explicou o dirigente.

José Manuel Constantino considerou que "isto não tem a ver com os apoios que foram concedidos, tem a ver com a forma como a gestão desses apoios foi assumida" e acrescentou que "Rui Bragança recebeu durante dois anos uma bolsa de apoio à formação resultante de uma parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa".

"Esses apoios foram dados ao atleta e é aquilo que o país pode oferecer", sublinhou o antigo presidente do Instituto Português do Desporto, afirmando desconhecer situações semelhantes noutras federações, mas sim de "casos semelhantes na mesma federação".

José Manuel Constantino defendeu que os apoios concedidos - 13,5 milhões de euros do contrato assinado com o Estado - não justificam os resultados abaixo dos objetivos, porque "os atletas que estiveram nos Jogos Olímpicos foram atletas que, com as condições que o país lhes oferece, já tiveram posições de topo, em Campeonatos do Mundo, da Europa, inclusivamente em Jogos Olímpicos".

O dirigente aponta para "outros fatores, designadamente a circunstância de os opositores terem sido mais fortes, terem sido mais competentes naqueles momentos" e não nas condições que o país oferece", reiterando que a discussão sobre os apoios deve ser feita noutro momento.

"A avaliação deve ser feita em função dos objetivos. Os objetivos que o COP definiu ficaram bastante aquém dos objetivos que alguns dos próprios atletas e das próprias federações definiram. Fomos muito mais conservadores, muito mais modestos, muito mais limitativos. Ao fazê-lo, já conhecíamos as condições que o país tinha", completou.

Na sua opinião, "o país oferece aos seus atletas aquilo que entende ter como condições para oferecer".

"Todos nós desejaríamos que esses apoios fossem superiores, mas nós somos o país que somos, temos a economia que temos, vivemos os dramas que vivemos nos últimos anos. Não me parece muito razoável esperar que os apoios financeiros fossem em número muito significativo superiores àqueles que foram em ciclos olímpicos anteriores. E, apesar de tudo, houve um aumento", concluiu.
Por Lusa
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