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Rui Bragança: «Já sabia que neste palco não dá para errar»

Faz um balanço da participação no Rio

• Foto: Reuters
Rui Bragança lamentou o facto de não ter chegado esta quarta-feira às medalhas mas admitiu que gostou da participação no Rio por ser uma "experiência única".

"Só o ouro é que não teria desencanto. Estou feliz pelo primeiro combate que fiz. Orgulhoso pela caminhada até cá, foi uma sensação única ter os meus pais, a minha namorada, ter os meus amigos, que tiveram de atravessar o Atlântico para estar aqui, sentir aquilo, é a melhor coisa que levo daqui. Ficava muito mais feliz com o ouro mas não estou triste pelo 9.º lugar. Estou super feliz e só quero chegar lá fora, dar um abraço aos meus pais, um beijo à minha namorada e aproveitar o facto deles terem vindo cá e o resto dos Jogos. É uma experiência única. Estar na aldeia, olhar para o lado e pensar "este é campeão olímpico", "aquele é bicampeão do Mundo". É incrível, só quero aproveitar isso porque a caminhada já foi feita, dei tudo o que tinha, não me arrependo de nada", frisou o português.

Sobre o combate, Rui referiu que um erro deitou tudo a perder: "Foi muito tático, o primeiro a errar perdia e fui eu. Podia ter tentado antecipar mais vezes, mas não me estava a sentir muito confortável com isso. Estive perto de conseguir o contra-ataque, consegui tocar algumas vezes no colete, ele passou perto da minha cabeça, eu passei perto da dele, as coisas estavam equilibradas e foi aquele toque que decidiu tudo. Só posso é olhar para o futuro, já sabia que neste palco não dá para errar, aquele foi o meu erro. A seguir tentei recuperar o prejuízo, não deu. Fui com tudo o que tinha tentei tudo e mais alguma coisa. Simplesmente não deu. Sem dúvida que foi o último combate nos -58kg. Agora é recuperar o corpo, esta estrada foi muito longa, os últimos dois anos para a qualificação foram incrivelmente duros. Agora é recuperar, aliviar a cabeça e logo se vê. Acabar o curso acaba o taekwondo? Não sei, é uma cortina. Havia uma cortina até ao Rio e agora quando chegar a Portugal vou descobrir o que há para lá dessa cortina".

Tóquio só com apoios

Rui Bragança aproveitou para pedir mais apoios à modalidade e disse mesmo que a presença em Tóquio'2020 está dependente disso mesmo.

"Se houver condições. Sem condições é impossível chegar a algum lado. Podia dar para voltar a pedir aos meus pais mas isso não dá. Só com patrocínios e apoios, porque voltar a fazer as coisas à maluca não dá. Aos meus pais devo estar aqui, todo o apoio deles, emocional e financeiro, ao meu treinador, ao meu colega de treino. Sem dúvida que foi um esforço pessoal: não fui eu, fomos nós. O taekwondo ainda é muito pequeno. O investimento foi todo nosso. O clube não é muito grande, o taekwondo ainda não tem a dimensão do futebol para alguém apostar. Pode ser que agora depois dos Jogos as coisas mudem. Pode ser que se comece a olhar para o taekwondo como por exemplo se começou a olhar para o judo, que as coisas comecem a mudar, que se comece a abrir caminho atrás de mim. Ter os apoios que os os outros têm acho que é impossível. Se imaginassem o apoio que tem o atleta iraniano, o atleta coreano, acho que ficavam parvos. A Coreia e o Irão têm uma liga profissional de taekwondo, têm mil e um apoios. Nós íamos de voos low cost e a ficar em hostels. Às vezes ia eu e o Nuno… Já temos muitas aventuras, podíamos escrever um livro. Mas isso não dá para repetir outra vez, foi muito divertido, mas também foi muito duro", referiu.

"Falta reconhecimento. Basta a pessoas acreditarem no taekwondo e se apostarem em nós, vamos conseguir chegar aos Jogos Olímpicos e trazer uma medalha, vamos ser conseguir ser campeões do Mundo e da Europa. Eu tive a sorte de os meus pais me poderem ajudar e a mega sorte de ser vice-campeão do Mundo. E o dinheiro que recebi daí deu e depois fui campeão da Europa, e voltou a dar", concluiu Rui Bragança.
Por Lídia Paralta Gomes. Rio de Janeiro. Brasil e Luís Miroto Simões
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