José Costa e Jorge Lima preocupados com o lixo na baía de Guanabara
"As condições da Baía estão aquilo que não seria desejável. Há muitos plásticos, muito lixo, há animais mortos"
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Os velejadores José Costa e Jorge Lima assumiram esta quinta-feira que a condições da baía de Guanabara, onde vão decorrer as regatas do Rio'2016, estão longe do desejável, apontando o lixo como um fator a ter em conta durante a competição.
"As condições da Baía estão aquilo que não seria desejável. Há muitos plásticos, muito lixo, há animais mortos. Embora tenhamos a sorte de nenhum de nós ter ficado doente, de não ter apanhado nenhuma infeção, a verdade é que para navegar pode afetar bastante do ponto de vista do rendimento, porque o nosso barco anda rápido e se apanhar um plástico quase não se sente. Não se sente o impacto, mas sente-se no rendimento do barco", explicou José Costa.
Acabado de chegar do Rio de Janeiro, o proa da embarcação portuguesa da classe 49'er relatou que na última incursão da dupla na baía de Guanabara um plástico relegou-os da liderança confortável de uma regata para o quinto/sexto lugar, "com 400 metros de atraso".
"Na última perna da regata apanhámos um bocadinho de plástico e isso diminuiu a velocidade. E nós, sem saber bem porquê, à procura da explicação sempre em fatores externos, como a intensidade do vento, e a explicação estava lá em baixo. Imaginem o que é, nos Jogos Olímpicos, por causa de um plástico na baía, perder quatro anos de trabalho e hipotecar o resultado. É grave", defendeu.
No entanto, de acordo com Jorge Lima nem todos os dias na baía de Guanabara são terríveis.
"Gostava de salientar que não é todos os dias que há muito lixo. Acontecem, são frequentes, mas não é sempre. Com tantas correntes e tantos ventos, há dias melhores e dias piores. Há dias em que realmente há pouco lixo e que este não interfere de maneira nenhuma com a nossa navegação", detalhou, baseando-se na experiência de quem já passou 46 dias no palco das regatas dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.
Para o skipper dos 49'er, a poluição das águas é mais um fator, como o são a técnica, o psicológico, os ventos ou as correntes.
"O lixo é mais um que vamos ter de adicionar às nossas preocupações e prioridades e tem de se olhar para eles e tentar desviar ao máximo. Inclusive, eu quando estou a olhar para fora para definir a estratégia da regata, ele está a ver a direção do barco e o lixo que aparece e diz "lixo, lixo, lixo" e eu com o leme vou tentar desviar o barco", revelou Jorge Lima.
O mais experiente dos dois velejadores - esteve em Pequim2008 - confessou ainda, num encontro com a imprensa no Clube Naval de Cascais, que esta segunda campanha olímpica lhe está a trazer um prazer enorme, "muito superior" ao da estreia, em particular pela relação que tem com o seu companheiro de embarcação.
"Também porque sei que ele é um trabalhador nato e era um sonho para ele. Já disse há algum tempo que um dos meus objetivos era poder levá-lo aos Jogos Olímpicos e, portanto, até agora tudo indica que vai acontecer", completou.
Sem querer traçar um objetivo concreto quanto às ambições, o duo mostra-se confiante num bom resultado.
"Não gostamos de falar em medalhas, não pensamos nelas. Vamos estar concentrados em cada dia, em cada momento, em cada largada, em cada minuto que passa e depois o resultado final se é com medalha, se é com diploma, se não é logo se vê. As características no Rio são muito particulares, muito difíceis de prever, portanto penso que os favoritos não são tão favoritos para esta prova. Já fomos quintos no Campeonato do Mundo, segundos na Taça do Mundo, dizer que podemos ficar na frente é uma realidade, mas como todos os outros também podemos ficar atrás", sublinhou o skipper.
Já José Costa, que no Rio'2016 vai cumprir um sonho de vida, garantiu estar mais concentrado na competição do que na estreia no evento.
"Obviamente que há momentos que têm de ser disfrutados, como a cerimónia de abertura, mas o meu foco vai sempre cair no rendimento. Há vários atletas a competirem nos Jogos e há aqueles que por marca -- atletismo, natação -- metricamente sabem que não conseguem chegar lá. Nós, por sorte, não temos essa métrica, e por sorte ou trabalho temos hipótese de chegar mais longe", concluiu o proa luso.