Marta Pen Freitas: «São quatro minutos na pista, mas são 15 anos de trabalho»
Atleta portuguesa lembra que para chegar aos Jogos Olímpicos teve de trabalhar muito
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Poucos minutos depois de na pista do Estádio Olímpico ter registado a segunda melhor marca da carreira nos 1500 metros, Marta Pen Freitas assumiu que não podia estar mais orgulhosa do que fez, pese embora ter falhado o apuramento para a final. À RTP, a atleta portuguesa deixou claro que queria a passagem, mas frisa a valia e importância daquilo que acabou de fazer.
"Não era o que esperava, as meias-finais existem para decidir quem vai à final e eu estava aqui, como todas, para seguir para a final. Nunca parti a pensar noutra coisa que não isso. A prova dos 1500 é muito tática, houve ali um pequeno erro tático, todas nós queremos estar na posição ideal. Nos 400 metros descolei do grupo da frente, demorei a conseguir encontrar o meu caminho. Acabei forte, com melhor marca da época, portanto tenho de estar orgulhosa da minha prestação. Chegar aos Jogos Olímpicos e correr a melhor marca do ano numa prova tática sem dúvida que é um ótimo indicador. Só posso estar orgulhosa", frisou a atleta lusa de 28 anos.
"São quatro minutos na pista, mas são 15 anos de trabalho. Houve alguns momentos da minha carreira que foram de mudança de mentalidade. Uma das coisas que me marcou muito foi perder o meu pai. Isso fez com que deixasse de pensar que um dia eu podia ir aos Jogos Olímpicos, para começar a pensar que quero ir aos próximos Jogos Olímpicos. Pois queria muito que a minha mãe e as minhas irmãs tivessem oportunidade de me ver no palco dos sonhos. E às vezes para atingirmos coisas importantes na nossa vida temos de meter timings. Na altura estava muito longe. Disse ao meu treinador 'quero ir aos Jogos Olímpicos daqui a dois anos', foi um choque para ele. Só queria transmitir que é importante termos objetivos, mesmo que sejam assustadores, é porque realmente valem a pena", disse a atleta do Benfica, que aproveitou igualmente para agradecer à sua família e aos treinadores que fizeram parte do seu percurso.
"Estive no palco dos sonhos, queria mais. Daqui a três anos voltamos com mais objetivos e para viver mais um sonho", concluiu.