Antoine Launay falhou final por meio segundo: «Amo este desporto, mas é difícil ficar assim tão perto»

Canoísta luso não escondeu a emoção ao ver que o apuramento lhe escapou

• Foto: Reuters

O canoísta Antoine Launay assumiu esta sexta-feira ser "muito difícil" lidar emocionalmente com o facto de ter ficado a um lugar da final de K1 slalom, reservada aos 10 melhores, quando aguardava ainda o resultado de um protesto.

"É difícil. Muito difícil. Foi muito trabalho. Estive tão próximo da final. Amo este desporto, mas é difícil ficar assim tão perto. O meu objetivo era o pódio, sinceramente fiz tudo para isso. Faltou um pouco de velocidade, fiquei a 0,5 segundos da final", disse o atleta luso.

Portugal apresentou um protesto por alegada violação do atleta da Austrália, Lucien Delfour, por entender que não cumpriu com as regras na passagem de uma porta, pelo que pedia a penalização do sexto classificado, algo que resultaria no êxito de Launay.

"No fim são os juízes que decidem. Não posso fazer nada. Acho que ele devia ter [penalização de] 50 [segundos], mas agora já acabou tudo. É a decisão e aceito-a. Foi o fim", lamentou, depois de concluir a sua descida em 98,88 segundos, mais 43 centésimos do que o sueco Erik Holmer, 10.º.

Launay, de 28 anos, 1,80 metros e 88 quilos de puro músculo, não conseguiu evitar 'ruir' emocionalmente quando, enquanto esperava pelo resultado na zona mista, para reagir aos jornalistas, ficou a saber que o recurso não tinha sido tido em conta.

Já o seu treinador, 'Pere' Guerrero, que conduziu o recurso, aceita que as imagens são "dúbias" e que permitem uma "interpretação subjetiva" sobre a passagem total da cabeça do australiano numa das portas, pelo que assume com "desportivismo" a decisão dos juízes.

Launay, sempre com voz embargada, assumiu que esta "não foi" a sua melhor prova, admitindo "um pouco de pressão e stress" durante a manga única no centro de canoagem slalom de Kasai, que deixou de fora, inclusivamente, medalhados olímpicos no Rio'2016.

"Cometi alguns pequenos erros e claro que podia melhorar. Queria estar na final, porém fui 11.º e agora já nada posso fazer...", insistiu, como que ainda incrédulo pelo fim da sua ilusão.

O canoísta garante que chegou a Tóquio'2020 na sua "melhor forma de sempre" e elogiou o trabalho do seu treinador e da equipa Darque Kayak Club, sobretudo nos aspetos logísticos que lhe permitiram estar "afastado da covid-19" enquanto continuou a preparar-se.

O português nascido em Toulouse, França, país onde reside, em Pau, estava mergulhado na deceção e não abordou a possível tentativa de chegar aos próximos Jogos, em Paris'2024.

Estreante em Jogos Olímpicos, Antoine Launay apurou-se para Tóquio'2020 com o sétimo lugar nos Mundiais de 2019.

No Rio'2016, Portugal esteve representado na canoagem slalom por José Carvalho, que terminou na nona posição, em C1.

A mais recente presença lusa em K1 slalom remonta a Sydney'2000, quando Florence Fernandes foi 20.º e última, depois de ter estado em Atlanta'1996, sendo então 22.ª numa edição que contou também com a participação de Aníbal Fernandes (30.º).

Por Lusa
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