Uma medalha e um diploma: o balanço do judo português em Tóquio'2020

Comitiva prometia mais, apesar do terceiro pódio na modalidade

• Foto: Reuters

O judo português, com a sua maior delegação, despediu-se dos Jogos Olímpicos com o orgulho de ter a primeira medalha em Tóquio'2020, mas a sensação de um copo meio cheio, quando prometia um pouco mais.

Com oito judocas em competição, a maior representação portuguesa, a par de Barcelona'92, foi o bicampeão mundial Jorge Fonseca a 'salvar' a expectativa criada pela modalidade, que nos anteriores Jogos (Rio'2016) dera a Portugal o bronze, por Telma Monteiro.

Desta vez, com uma presença mais alargada em Tóquio, em comparação com seis judocas no Brasil, a diferença não se esperava apenas ao nível da representação, mas também no que os oito apurados podiam conquistar e foi aí que o desempenho defraudou a, elevada, expectativa.

À partida não seria só Jorge Fonseca, que em junho se tinha acabado de sagrar bicampeão mundial dos -100 kg, o grande candidato a entrar no pódio do judo, mas também a campeoníssima Telma Monteiro, ou uma possível surpresa de Rochele Nunes ou mesmo de Bárbara Timo.

As expectativas estavam legitimamente criadas, pelos resultados dos atletas, nomeadamente os títulos mundiais de Fonseca, mas também o vice-título de Timo, o bronze recente de Anri Egutidze nos Mundial, ou as duas medalhas de Rochele Nunes nos Europeus.

Eram muitos e fortes os argumentos para o judo acreditar que podia ter uma longa e épica jornada em Tóquio, mas a promessa do primeiro dia - em que Catarina Costa lutou pelo bronze em -48 kg - perdeu força.

Na sua estreia olímpica, a estudante de medicina, judoca da Académica, chegou ao bloco das finais em -48 kg - fase em que foi derrotada na discussão do bronze -, numa categoria em que venceu três de cinco combates e chegou a eliminar a amiga e campeã olímpica Paula Pareto, da Argentina.

Catarina Costa, de 24 anos, representa, juntamente com Patrícia Sampaio, de 22, uma nova geração de judocas, nomes firmes para Paris'2024, em contraponto com as experientes Telma Monteiro, de 35, ou Joana Ramos, de 39, cujo futuro permanece em aberto.

Em Tóquio, Joana Ramos disputou os seus terceiros Jogos Olímpicos, saindo derrotado no primeiro combate de -52 kg, enquanto Telma Monteiro, a mais medalhada judoca portuguesa de sempre, caiu na segunda ronda de -57 kg.

Telma Monteiro foi penalizada com um terceiro castigo, por falso ataque, num combate de quase 10 minutos, um cenário que Rochele Nunes 'confiou' no último dia de competição, mas em que a arbitragem foi complacente e perdoou o castigo à sua oponente, a líder mundial de +78 kg, a cubana Idalys Ortiz.

As duas judocas portuguesas saíram da competição em lágrimas, por ambicionarem mais, e se Telma ainda mantém em dúvida se lutará por estar em Paris2024, Rochele Nunes poderá ter nova oportunidade na capital francesa.

Além destas duas judocas, também Bárbara Timo (-70 kg), vice-campeã mundial em 2019, e Patrícia Sampaio (+78 kg), perderam ao segundo combate, numa participação que contou também com o judoca Anri Egutidze, derrotado na estreia em -81 kg.

Mais de 50 anos depois da primeira participação, por Fernando Costa Matos, em Tóquio1964, Portugal teve, no seu regresso ao Nippon Budokan, o melhor desempenho de sempre do judo português em Jogos Olímpicos, superior às conquistas de Sydney ou do Rio de Janeiro.

Tal como Nuno Delgado em 2000, ou Telma Monteiro em 2016, Jorge Fonseca chegou ao bronze, mas a seleção sai de Tóquio'2020 com um diploma olímpico, de Catarina Costa (quinta), conseguindo ter, num mesmo evento, dois judocas na luta pelas medalhas.

Balanço do judo em Tóquio'2020

Jorge Fonseca, 3.º
Catarina Costa, 5.º
Bárbara Timo, Telma Monteiro, Rochele Nunes e Patrícia Sampaio, 9.º
Anri Egutidze e Joana Ramos, 17.º

Por Lusa
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