Ana Hormigo no Mundial de judo com o aval do novo presidente: «Modalidade estava numa turbulência terrível»

O convite foi feito ao Benfica e não nominalmente e o clube indicou a treinadora

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• Foto: Fernando Ferreira/Arquivo
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A antiga selecionadora de judo Ana Hormigo estará nos Mundiais da modalidade, entre domingo e 13 de maio, com o aval do novo presidente da Federação (FPJ), Sérgio Pina, que entendeu ser uma medida benéfica.

"A minha ideia, também de alguma maneira, é a de trazer alguma paz à modalidade, que, por questões mais pequeninas, estava numa turbulência terrível. Entendi que era bom para a modalidade, era bom para a equipa, era bom para os atletas e foi nesse contexto que foi proposto isto", justificou Sérgio Pina, em declarações à agência Lusa.

O presidente eleito no último sábado, em assembleia geral para preencher o cargo deixado em aberto com a destituição em dezembro de Jorge Fernandes, deixou claro que o convite, aceite, foi feito ao Benfica e não nominalmente, e o clube indicou Ana Hormigo.

Sérgio Pina lembrou que além dos selecionadores Marco Morais, que nos femininos substituiu Hormigo - em conflito com o anterior presidente -, e Pedro Soares, também João Neto costuma acompanhar a judoca Catarina Costa, da Académica, e que fazia sentido ter nos Mundiais um técnico do Benfica.

"Tal como o João Neto acompanha a sua atleta [Catarina Costa], entendo também que a treinadora pelo Benfica, neste caso, devia acompanhar, porque tem um grande número de atletas e portanto terá direito a isso. Não foi por imposição de parte nenhuma, nem minha, nem do Benfica, mas foi, se quiserem, por uma conversa que houve, que eu propus [um treinador] e que foi aceite. Foi isto que se passou", disse o dirigente, explicando a importância de ter regras claras.

Sérgio Pina frisou não ter existido da parte da Federação qualquer sugestão de nome, cabendo ao Benfica, que nestes Mundiais terá os judocas Rodrigo Lopes (-60 kg), Anri Egutidze (-81 kg), Telma Monteiro (-57 kg) e Bárbara Timo (-63 kg), indicar o treinador.

Nos Mundiais, os seus primeiros enquanto presidente, Sérgio Pina confia na qualidade dos judocas portugueses, capazes de estar no pódio ou na luta pelas medalhas, assinalando existir uma equipa que mistura experiência com alguns estreantes.

"Temos uma equipa de elite, não tenho dúvidas disso. Tenho uma grande confiança na qualidade dos nossos atletas (...). Reúno toda a confiança neles e espero e faço votos e penso que vamos conseguir ter uns excelentes resultados", sublinhou.

O dirigente encontra-se em Doha, onde se manterá até sexta-feira, devido ao congresso da Federação Internacional de Judo, mas regressa ainda no início do fim de semana, numa fase de grande exigência financeira na FPJ.

A destituição de Jorge Fernandes e a realização de eleições apenas no último fim de semana de abril tem adiado a assinatura do contrato-programa com o Instituto Português da Juventude e Desporto (IPDJ), só possível após a AG do exercício de contas de 2022, agendada para 20 de maio.

"Temos conseguido com muito sacrifício, com uma boa vontade de quem gosta de nós e que nos apoia, temos conseguido e iremos conseguir e, por isso, agora dá muito mais trabalho", explicou Sérgio Pina, mas, ainda assim, confiante num bom futuro.

Os Mundiais decorrem entre domingo e 14 de maio, os últimos dois dias, das categorias mais pesadas e da prova por equipas, já sem os 11 portugueses, Catarina Costa, Raquel Brito, Rodrigo Lopes, Joana Diogo, Maria Siderot, Telma Monteiro, Bárbara Timo, João Fernando, Anri Egutidze, Joana Crisóstomo e Patrícia Sampaio, que fecham a participação na sexta-feira de 12 de maio.

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