Se o Sol volta todas as manhãs, como cantava o saudoso Tony de Matos, já o amor e o passado não o fazem. Infelizmente para Mirko "Cro Cop" Filipovic a sua forma também não, como voltou a ficar bem evidente na prestação do croata no UFC 103 contra o brasileiro Júnior "Cigano" dos Santos. Se o futuro imediato é a reforma ou se passa por combates contra outros campeões de outrora só Mirko saberá, mas o que parece por demais evidente é que o seu tempo como um dos pesos pesados mais perigosos do mundo acabou em 2006.
Apesar de o primeiro assalto ainda ter sido algo equilibrado, com "Cro Cop" a conseguir mesmo acertar alguns golpes em contra-ataque no seu adversário, a verdade é que foi sempre o brasileiro a ter a iniciativa dos acontecimentos e a mostrar vontade em decidir a luta sem chegar à decisão dos juízes. Se nos primeiros cinco minutos Mirko ainda conseguiu disfarçar em parte as suas dificuldades, já no segundo assalto o croata pareceu ficar completamente sem ideias, como se mesmo a ele próprio parecesse estranho que há relativamente poucos anos tivesse sido tão bom nas artes marciais mistas. Perante tanta apatia até o público que inicialmente apoiou Mirko se começou a virar contra ele, e no início do terceiro assalto adivinhava-se que o croata poderia não chegar ao fim da luta. Foi o que aconteceu, com "Cro Cop" a ser completamente dominado com socos e joelhadas, até finalmente pedir ao árbitro que parasse o combate por alegadamente não conseguir ver.
Com mais uma derrota, a terceira em cinco lutas disputadas na UFC, a dúvida principal é saber se Mirko mantém a sua teimosia em continuar a combater ou se efectivamente se retira. Das últimas vezes "Cro Cop" tem desculpado os seus insucessos com lesões e prometido que no combate seguinte a história será diferente, porém nesta altura do campeonato já nem o próprio Mirko dá mostras de acreditar nas suas palavras. Quanto a Júnior dos Santos, a vitória sobre um dos maiores nomes de sempre das MMA (ainda que muito longe do seu auge) pode abrir-lhe a porta para voos mais altos. E numa altura em que Brock Lesnar tem defesa marcada do título de pesos pesados contra Shane Carwin, é possível que o "Cigano" esteja na calha para também ele ter a sua oportunidade muito em breve.
Se "Cro Cop" aparenta estar de saída da UFC, eis que Vítor Belfort regressou com estrondo à organização de Dana White. O brasileiro a quem chamam "O Fenómeno" venceu Rich Franklin por TKO logo ao primeiro assalto e com isso pode vir a medir forças num futuro próximo com Dan Henderson, pelo direito de disputar o título de pesos médios da UFC contra o aparentemente invencível Anderson Silva.
No seu segundo regresso à UFC, Belfort soube ser paciente e esperar pelo erro do adversário. Depois de mais de dois minutos sem que nenhum dos lutadores desferisse um golpe convincente, os protestos do público fizeram-se sentir e terão talvez feito o norte-americano optar por uma postura mais agressiva. Essa decisão não se revelou a melhor, visto que a recompensa foi uma esquerda à têmpora que derrubou Franklin e abriu caminho ao ground and pound de Belfort, só interrompido pelo árbitro que assim declarou o brasileiro vencedor da contenda.
Lista completa de resultados:
Vítor Belfort venceu Rich Franklin por TKO (3:02 do primeiro assalto).
Júnior dos Santos venceu Mirko "Cro Cop" por submissão (2:00 do terceiro assalto).
Paul Daley venceu Martin Kampmann por TKO (2:31 do primeiro assalto).
Josh Koscheck venceu Frank Trigg por TKO (1:25 do primeiro assalto).
Tyson Griffin venceu Hermes França por TKO (3:26 do segundo assalto).
Efrain Escudero venceu Cole Miller por TKO (3:36 do primeiro assalto).
Tomasz Drwal venceu Drew McFedries por submissão (1:03 do segundo assalto).
Jim Miller venceu Steve Lopez por TKO (0:48 do segundo assalto).
Nik Lentz venceu Rafaello Oliveira por decisão unânime.
Ricky Story venceu Brian Foster por submissão (1:09 do segundo assalto).
Eliot Marshall venceu Jason Brilz por decisão unânime.
Vladimir Matyushenko venceu Igor Pokrajac por decisão unânime.
Rafael dos Anjos venceu Robert Emerson por decisão unânime.
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