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Contra Quinton Jackson, Keith Jardine estará numa situação familiar. O favorito à vitória estará do lado oposto do octógono mas Jardine vive dos momentos em que, contra todas as expectativas, consegue provar que o MMA está longe de ter previsibilidade científica.
O estilo de stand-up de Keith Jardine nada tem de ortodoxo. Esteticamente pouco agradável, de aparência desajeitada (leia-se simiesca) contudo, eficaz especialmente com as pernas. Se investir e trocar golpes sem preocupação defensiva contra alguém intitulado “The Axe Murderer” (Wanderlei Silva) não augurava nada de bom para a saúde, contra “Rampage” Jackson também não se recomenda. Com a mesma abordagem, Jardine acabará de novo a contar as luzes do tecto do edifício. Jackson tem poder para isso e Jardine não tem queixo para o absorver.
Longe vão os tempos do Pride em que “Rampage” ganhava os combates recorrendo à força bruta. A sua técnica tornou-se mais apurada, em especial o seu boxe. Contra ele, lutadores que aplicam uma maior curvatura aos golpes de punho estão destinados ao fracasso. Wanderlei Silva é o exemplo recente disso mesmo. Não só o boxe de Jackson é mais rectilíneo e desse modo atinge o alvo mais cedo, como tem a rara capacidade (talvez até instintiva) de deflectir os ataques do adversário usando os antebraços. Extremamente útil quando se usam luvas tão pequenas no MMA.
A possibilidade de Jardine vencer este combate está na adopção de uma estratégia semelhante à que usou quando defrontou e ganhou à super-estrela da UFC, Chuck “The Iceman” Liddell. Conhecido pela capacidade de conseguir o KO com ambas as mãos, Liddell vive do contra-golpe. Jardine deu-lhe a iniciativa da luta, frustrando e forçando “The Iceman” a sair do seu jogo habitual. Keith Jardine batia e saia da distância, pontuando o combate com low-kicks potentes que, no final, lhe deram a vitória por maioria (o juiz que deu o combate a Liddell decerto que não viu a mesma luta).
A estratégia que Jardine usou contra Liddell e a que Griffin usou contra Jackson são em tudo semelhantes. “Rampage” perdeu o título para Forrest Griffin, que lhe impactou low-kicks sem um esboço de defesa durante os 25 minutos da contenda. Caso “Rampage” continue a não os bloquear e decida manter o combate em pé, avizinha-se uma longa e dolorosa noite. Nessa ocasião, o mais seguro seria “Rampage” levar o combate para o chão onde, de uma posição dominante, poderia conseguir uma vitória através de ground & pound.
No combate de sábado a vantagem que, em teoria, Quinton “Rampage” Jackson tem no stand-up deverá ser suficiente para obter uma vitória por TKO. No entanto, se Jardine se conseguir manter afastado do poder de “Rampage”, terá as ferramentas para pontuar e arrastar o combate para uma decisão e, quem sabe, gorar os planos de mais um candidato ao título. Coisas mais estranhas já aconteceram. Veremos o que o génio de Greg Jackson, treinador de “The Dean of Mean” Keith Jardine e, sem dúvida, um dos melhores estrategas do MMA, giza para este confronto.
De fora do octógono, um dos espectadores interessados será o actual campeão Rashad Evans, também pupilo de Greg Jackson e companheiro de treino de Keith Jardine. Se ultrapassar Jardine, Evans é o próximo na lista de “Rampage”. Olhos atentos e exasperados serão os de Lyoto “The Dragon” Machida. Senhor de um resgisto perfeito de 14 vitórias em 14 combates. Se Quinton Jackson deslizar e perder contra Jardine, já é mais do que altura de Machida ter a sua oportunidade de lutar para o título da UFC.