Iman Achhal: marroquina cheia de raça
A marroquina Iman Achhal está a dar os primeiros passos nas MMA. Estreou-se profissionalmente com uma vitória frente a Felice 'Lil Bulldog' Herrig no recente Ultimate Warrior Challenge 5 e, para além da qualidade revelada, esta lutadora de 32 anos tem uma história de vida que vai emocionando o mundo das Mixed Martial Arts.
Alguns dos atletas que decidem enveredar pelas MMA fazem-no para escapar a lares destruídos, a pais abusadores e muitas vezes para criar um afastamento saudável de um mundo conturbado por diversos factores, inerentes à condição de ser humano no século XXI. Com esta expressiva rapariga a religião foi determinante...
Iman Achhal, conhecida como “Mannie”, revelou os motivos que a levaram a ser lutadora, abrindo o coração à imprensa norte-americana e mostrando que os compromissos da religião muçulmana foram a base para a sua decisão.
“Nasci em Marrocos e sou muçulmana. Como era habitual, os meus pais combinaram o meu casamento com um rapaz de outra família, de 15 anos, e não me disseram absolutamente nada. Como conhecia casos de muitas raparigas que tinham tido casamento combinados e eram infelizes, decidi que não queria isso para a minha vida”, iniciou sobre o tema.
“Decidi que tinha de vir para os Estados Unidos. Não queria ser mais uma mulher infeliz em Marrocos. Foi complicado porque os meus pais não receberiam o dinheiro proposto se eu não fosse casar”, disse depois, garantindo que equacionou por várias vezes a possibilidade de ir contra os seus ideais apenas para ajudar os progenitores.
Contudo, o espírito rebelde e assumidamente livre dos 18 anos, idade que tinha na época, foi mais forte e Iman tomou uma das decisões mais difíceis da sua vida. Até porque a reacção da família foi... dura, conforme revela bem-disposta.
“Não passa pela cabeça de ninguém. Quando lhes disse que me ia embora, após uma conversa de meia-hora, a minha mãe tomou as rédeas da conversa e deu-me uma sova como nunca levei. Mesmo como lutadora de MMA nunca apanhei tanto como nessa ocasião”, garante.
Com as malas feitas a jovem Iman conseguiu o “green card” e rumou aos Estados Unidos, onde depois de muitas voltas enveredou pelo circuito das MMA, estreando-se em Fevereiro de 2007 de forma amadora e conseguindo um registo de 4-0-1.
Mais importante que os números foi ter mostrado que contra todas as vicissitudes, o sonho ainda vai comandando a vida.