UFC 96: Gonzaga vs Carwin
A divisão de pesados da UFC não tem o nível de competição e a extensão de outras das suas categorias de peso. Daqui surge o problema de emparelhar lutadores que ainda são prospectos, com outros que possam constituir progressivamente (a palavra-chave) um maior desafio. Para Shane Carwin, passar de uma vitória sobre um herói local em Inglaterra, para um combate contra Gabriel Gonzaga, é um salto qualitativo enorme.
Invicto com 10 vitórias em 10 combates e com metade deles resolvidos em menos de 50 segundos, Carwin já demonstrou ter um ground & pound demolidor. O resto do seu jogo ou a forma como reage à adversidade ainda são incógnitas. Nenhum dos seus adversários conseguiu passar do primeiro assalto e isso diz tanto da força de Carwin, como da fraqueza dos seus oponentes. Shane Carwin ainda não foi verdadeiramente testado e agora é lançado aos lobos sob a forma de Gabriel Gonzaga. Talvez a UFC tenha já em mente especular um combate contra outro ser fisicamente monstruoso chamado Brock Lesnar.
Curiosamente, Carwin tem como pontos fortes os pontos fracos de Gonzaga, ou seja, é um lutador agressivo, que desfere golpes violentos com os seus martelos disfarçados de mãos (cobertos por inimagináveis luvas de tamanho XXXXXL) e bem capaz de magoar o adversário de forma rápida e decisiva no ground & pound.
Também Gonzaga foi atirado os lobos contra Mirko Crocop e agora cabe-lhe iniciar Carwin nessa complicada disciplina. Quando toda a gente olhava para a perna esquerda de Crocop, "Napão" - o cinturão negro de BJJ e Judo - surpreendeu e deixou o combatente croata dobrado no chão de um modo desagradável à visão. Nas contendas seguintes, provou-se que o golpe contra Crocop não foi aleatório. O stand-up de Gonzaga é a sério, o que faz dele um adversário perigoso em qualquer local onde o combate se venha a desenrolar.
Quando Gonzaga é o agressor e toma o centro do octógono, comporta-se como se destinado a ser o campeão da UFC, mas "Napão" não gosta de ser atingido e tende a recolher à sua concha quando tal acontece. Se Carwin pressionar Gonzaga e começar a impactar com as suas enormes mãos, poderemos ver "Napão" a voltar a esse seu antigo hábito, o que lhe pode custar, não só este combate, como também destruir o seu estatuto de candidato ao título na posse de Brock Lesnar.
Se (ou quando) o combate for ao chão, a vitória será de quem ficar por cima. Um wrestler de costas no tapete é um peixe fora de água. Nessa situação "Napão", com relativa facilidade, conseguirá isolar um braço de Carwin e forçar a desistência sob pena deste ir para casa com menos um membro. Se o Jiu-jitsu é a arte suave, o Jiu-jitsu de Gonzaga é suavemente brutal, verificável aliás pela kimura em Justin McCully.
Caso Shane Carwin consiga o takedown, a guarda de Gonzaga continuará a ser um perigo, mas Carwin terá a oportunidade de fazer aquilo que tem feito melhor: pregar a cabeça do oponente ao tapete.