João Martins: «Queremos participar em Marrocos»

Trilhos do Estreito abre horizontes

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Record (R) - Qual foi o momento mais marcante para este novo triunfo?

Tiago Dias (TD) - Penso que vencemos este ano porque percebemos que a concorrência estava, esta época, muito mais forte. Na segunda prova do campeonato, em Loures, não validámos um waypoint, por falta de concentração, e ficámos afastados da vitória. A partir desse momento demos o nosso máximo em cada prova.

R - Quais as principais dificuldades que tiveram de enfrentar?

João Martins (JM) - As principais dificuldades ao longo do campeonato foi termos de nos adaptar a cada prova, pois não há duas iguais. A escolha da estratégia certa em cada uma delas foi determinante para a vitória do campeonato.

TD - E, para além disso, manter o ritmo e a concentração. Não tivemos oportunidade nem tempo para treinar. O desgaste mecânico do Wrangler foi enorme, o ritmo que tivemos que andar em cada prova causava sempre mazelas no jeep, temos a sorte de ter uma equipa de mecânicos excelentes, como o Luís Coelho, o Pedro Lourenço e o Vinnie (offroad project).

R - O que os distingue dos principais rivais?

JM - Somos uma equipa que funciona muito bem. Planeamos tudo, sempre a pensar nas sete horas de prova. Durante a prova o Tiago apenas conduz e eu limito-me a dar-lhe as indicações para chegar os mais rápido aos waypoints. O Tiago tem uma característica que o distingue dos outros pilotos: se for preciso fazer vários quilómetros no limite para chegar a um controlo horário, sem penalizar, ele consegue fazer isso sem cometer erros nem comprometer a segurança. Assim podemos arriscar...

T - A grande diferença é a leitura do terreno que o João consegue fazer. Estuda em casa muito bem os mapas, reunindo toda a informação.

R - Esta vitória foi diferente da anterior?

T - Este ano tínhamos a pressão de ter de defender o título. Fomos os primeiros a conseguir sagrarmos-nos bicampeões, desde que o campeonato regressou. O nível das equipas presentes era muito alto e sabíamos que ao mínimo erro numa prova era quase impossível vencê-la.

R - Como têm visto o desenvolvimento da modalidade?

J- É uma modalidade de todo o terreno muito completa, no entanto tem estado um pouco apagada, tem-se assistido ao regresso de algumas equipas que estavam paradas, têm aparecido novas equipas, no entanto acho que falta aqui um impulso maior pela FPTT, a nível de divulgação e comunicação social.

R - Participar novamente em 2016 está na vossa agenda?

T – Será um prazer caso se proporcione. Ainda assim, temos também outros projetos em mente. Vamos ver como tudo vai acontecer.

R - Que sonhos ainda têm por cumprir?

J- Neste momento, o sonho passa por participar numa prova em Marrocos, pela aventura, pela dimensão do local e para participar em algo diferente. Estas provas chegam a ter perto de 100 equipas.

R - Do que tiveram de abdicar para poderem estar sempre ao mais alto nível nesta modalidade?

T - Felizmente temos uma família que entende o nosso gosto pelo todo-o-terreno e compreende a nossa ausência em alguns fins-de-semana.

R - Como surgiu o gosto pelo TT?

J - Faço parte do clube Trilhos do Estreito, que organiza eventos ligados ao todo-o-terreno há 16 anos. Assim, o gosto pelo todo-o-terreno já vem de alguns anos atrás. Também sempre gostei de GPS, mapas e cartas militares. Em 2008 comecei a ler notícias sobre navegação em revistas de todo-o-terreno e na internet. Comecei a procurar mais informação sobre esta modalidade, tendo, em 2009, participado na minha 1ª prova de navegação.

T - Morando na zona do pinhal interior, em Vila Nova De Poiares, onde se gosta muito de desporto Motorizado, cedo comecei a gostar destes desportos. Desde criança adorava rallys, pratiquei Karting e em 1997 o meu pai ofereceu-me um Jeep. A partir daí nunca mais deixei de os conduzir, pelo prazer de liberdade e adrenalina, algo que vicia muito.

R - A maior projeção da modalidade é importante para que consigam, com maior facilidade, patrocínios?

J - Sim, sem duvida. Penso que a falta de projeção é o único senão da modalidade. Fazer um campeonato ainda acarreta algumas despesas e os patrocínios são indispensáveis. Se existisse maior visibilidade seria mais fácil conseguir e justificar esses apoios.

T - Temos muitas empresas que contactamos que não conhecem sequer a modalidade. Era importante que a imprensa especializada em desporto motorizado deixe as guerras de federações de lado e mostrasse o quanto competitivo está neste momento o campeonato.

Por Ricardo Chambel
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