Record

Acidentes e incidentes com a tropa mauritana

Acidentes e incidentes com a tropa mauritana
Acidentes e incidentes com a tropa mauritana • Foto: isabel trindade

Têm sido verdadeiramente difíceis estes últimos dias do Sahara Desert Challenge e em todos os sentidos – foram etapas duríssimas e longas, com óbvia repercussão no comportamento de homens e máquinas, sem sequer um recuperador banho quente à chegada, com muitos incidentes e acidentes, alguns dos quais graves. Mas isto também faz parte do espírito do Dakar, daquele outro Dakar, uma aventura que se pretende reavivar.

Como sabem, temos sido permanentemente acompanhados pelo exército mauritano, que faz questão de transmitir a quem visita o país que este é efectivamente seguro. E a tropa anda em carrinhas, de caixa aberta, ao lado da caravana, montando um sistema de defesa em todos os acampamentos. AK 47 nas unhas, lá ficam os soldados toda a noite a fazer proteção. Foi uma destas carrinhas que na etapa com chegada a Chinguetti capotou, fazendo um morto e quatro feridos graves. No dia seguinte, quarta-feira 7, uma outra entrou com excesso de velocidade numa zona de lombas e dois outros soldados foram «cuspidos», mesmo ali à nossa frente.

Um deles estava estendido na areia e parecia ter uma lesão na coluna; o outro permanecia sentado e agarrado a um braço, dando a entender ter uma fratura. Cobriu-se o primeiro com uma daquelas «mantas» próprias para o manter quente e buscou-se forma de o colocar numa maca e esta na carrinha sem grandes agitações, o que poderia agravar eventual lesão. O do braço, apenas foi preciso imobilizá-lo. Mais tarde viemos a saber que afinal este tinha partido a omoplata e que aquele nada tinha sofrido. Ainda bem.

Houve ainda a queda de um motard, que neste momento está já em Nouakchott, onde lhe foram feitos vários exames, todos de resultado negativo. Poderá ainda fazer uma TAC para dissipar definitivamente qualquer dúvida e seguirá para casa. Para casa seguiram também duas viaturas que tinham capotado, sem qualquer tipo de problema para os que nelas seguiam a não ser ligeiras escoriações.

E como já referi anteriormente, estes dias foram também de intenso trabalho para os mecânicos da caravana e mesmo os outros. Desde caixas partidas, centralinas estoiradas, bombas hidráulicas «agarradas», tubos – vários - rebentados, eu sei lá, de tudo ocorreu um pouco, para «desespero» dos seus condutores. Mas, pronto, tudo isto faz parte da aventura e quem nela se mete sabe perfeitamente ao que vem. Por isso, não há queixas.

Mas houve também muita coisa boa, como a descida espectacular para o oásis de Mhaireth, com as suas casas tipo cogumelos lá no fundo, no meio de um vale verde em total contraste com o amarelo da areia, ou a magnífica pista junto à grande duna do Châtou Eç Çghîr, e as aldeias que cruzámos, com a criançada louca por conseguir ficar com um dos «cadu» - para alguns a única palavra francesa que aprenderam... No final do dia acampou-se, junto à cidade (cidade?) de Akjout, com o corpinho todo «partido».

Estávamos, então, na quarta-feira 7, e voltámos a descobrir que banho só de chuva - o que não se verificou! - e que internet talvez no dia seguinte. Curiosamente, ainda não fomos capazes de apurar porque razão temos rede para chamadas de voz, mas não para dados.

Hoje, quinta-feira 8, foi uma etapa fácil e divertida. Quero dizer, deveria ter sido assim, pois até à praia far-se-iam uns 200 quilómetros de boa e rápida pista e, depois, aproveitando a maré baixa, mais umas dezenas sempre pela praia, sempre à beira mar, assustando as gaivotas. Ainda por cima, no fim havia direito a banho quente e tudo. Pois, mas não foi assim. Novos incidente obrigaram-nos a chegar a Nouakchott já bem depois das dez, a jantar perto da meia noite e a acabar esta croniqueta quase às três da manhã. E será que segue? Vamos ver... e amanhã contarei o resto.

Deixe o seu comentário
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de Desert Challenge

Notícias

Notícias Mais Vistas

M