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Quando um Land Rover amua...

CRÓNICA DO SAHARA DESERT CHALLENGE

Quando um Land Rover amua...
Quando um Land Rover amua... • Foto: Isabel Trindade

 

Como escrevi anteriormente, chegámos a Dakar, ou seja, atingimos o objectivo primeiro do Sahara Desert Challenge, mas as histórias desta aventura ainda não acabaram. Tanta coisa ocorreu, tantos incidentes, tantas anedotas, tantas sensações e imagens que se torna difícil transpô-las todas para aqui, mas vamos pelo menos procurar recordar algumas delas.

Como temos de começar por algum lado, vamos começar por aqui, pelas várias avarias que ocorreram ao longo deste milhares de quilómetros percorridos entre Coruche e Dakar. Umas mais complicadas, outras mais fáceis, mas todas solucionáveis, de uma forma ou de outra. Mas uma delas demorou quase 24 horas a ser reparada e deu-nos água pela barba. Foi assim...

O jipe de repente deixou de responder ao acelerador. Morria sempre que se dava gás. Estávamos na paria, à chegada a Dakar, a «meta» era já ali ,mas o carro não andava. O Luis Agostinho – o homem do carro vassoura -  lá o rebocou até ao acampamento onde se tentaria resolver o problema, logo a seguir ao jantar.

O Paulo Reis (falaremos dele noutra peça) mudou o acelerador, utilizando o suplente que o José Amorim, da TD5 Inside, fez questão de mandar na sua já célebre mala de desenrascanços, e parecia ter ficado tudo em ordem. Cinco minutos a trabalhar e...voltou ao mesmo -  nada de aceleração. Se não era daqui o problema seria então de...? Centralina?

Mudou-se a centralina, deu-se à chave, motor a trabalhar e...de novo o problema pareceu estar resolvido: o carro acelerava. Mas foi sol de pouca dura, pois pouco depois voltou tudo à primeira forma, ou seja, o motor parecia «afogado». Começaram então os palpites, tipo Land Rover não avaria, amua! E este estava mais que amuado. Se não era também daqui o problema, de onde seria?

Ligou-se ao Amorim, ligou-se a mais «engenheiros», ouviram-se várias opiniões. O Paulo Reis defendia que o problema era da cablagem que vai do acelerador à centralina; o Pedro Santos, o dono do carro, alegava que tinha verificado toda a cablagem, ligações, fichas, etc e que tudo estava nos conformes. Fomos almoçar para descontrair...

 

E voltou-se à faina, Muda-se centralina; muda-se pedal; experimenta-se centralina noutro carro e está ok; o pedal também; mete-se a centraliza x com o pedal y e vice-versa e tudo funciona; de repente, após mais uma série de combinações, a máquina parece ter deixado de estar amuada e o motor responde ao acelerador. Boa! Vamos testá-la ao lago Rose. Excelente. E decidimos ir até à cidade.

Tudo nos carros, tudo a postos, vamos embora...vamos? Não, não vamos! O jipe volta ao problema e não acelera. Ficamos todos pior que estragados e com vontade de usar um método mais radical, mas abandonámos a ideia. E o Paulo insiste: «Posso cortar os fios e fazer uma ligação directa do pedal à centralina?» Era a última hipótese e o Pedro lá aceitou a ideia.

Alicate de corte, fio suficiente, corta  aqui e solda ali, liga-se tudo e... dá-se à chave. O motor responde. Acelera-se e...o motor responde. Seria desta? Aguarda-se tempo suficiente e repete-se o teste, com resultados positivos. E a resposta foi sempre positiva.

Conclusão: não fomos a Dakar nesse dia, mas o jipe chegou a Lisboa sem problemas. E sem mais amuos.

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