Dakar 2002: Só faltava Fontenay no reino da Mitsubishi
Tudo igual no Dakar. Hiroshi Masuoka continua na liderança, ao passo que Carlos Sousa se mantém na quinta posição, depois de um igual registo na tirada de ontem. Novidade principal foi mesmo a vitória na “especial” do “azarado” Jean-Pierre Fontenay e a subida à segunda posição de Jutta Kleinschmidt, por troca com “Shino”
JEAN-PIERRE Fontenay é conhecido no Dakar como um dos pilotos que tem pouca sorte. Basta dizer que, no corrente Arras-Madrid-Dakar, o piloto francês conseguiu partir a transmissão do Pajero na ligação Madrid-Rabat, sendo forçado a montar uma caixa de velocidades de relações mais curtas, enquanto os restantes três Pajero oficiais só as receberam na altura prevista, mais ou menos a meio da prova, no dia de descanso, domingo passado.
Fontenay fez as etapas de Marrocos e a entrada na Mauritânia com menos velocidade de ponta no seu Mitsubishi, o que, conjugado com outros percalços (furos), fez com que fosse perdendo tempo para Masuoka, Kleinschmidt e Shinozuka. Além de tudo isto, diga-se que a sua vida também não tem sido facilitada pela enorme pressão criada pelos “media” do seu país, que esperam sempre do vencedor do Dakar de 1998 mais um triunfo.
Mas finalmente, ontem Jean-Pierre deu uma sapatada no azar, vencendo a etapa que ligou Tidjikja Tichit, a qual incluía uma “especial” de 520 km ainda dentro das fronteiras da Mauritânia. Contudo, este foi um triunfo que significou quase... nada: Fontenay já está a mais de uma hora do colega Hiroshi Masuoka. Pode apenas vangloriar-se de ser mais um dos pilotos oficiais a vencer tiradas. Depois dos triunfos de Masuoka, Shinozuka e Kleinschmidt, Jean-Pierre Fontenay era o homem que faltava ganhar, e ontem conseguiu-o, também confirmando que o reino da Mitsubishi, neste Dakar, é simplesmente inquestionável.
Tudo igual com Masuoka e... Sousa
Fica o registo da vitória de Fontenay num dia em que tudo terminou igual, tanto com o líder Hiroshi Masuoka (terceiro na etapa) como com o português Carlos Sousa, que mais uma vez foi quinto, a perder 28,46 minutos para o melhor, mas mantendo a mesma quinta posição da geral, agora com cerca de duas horas de vantagem para o sexto classificado, Saeed Al Hajri, que tripula a outra “pick-up” Strakar semioficial.
“Não pude explorar ao máximo a Mitsubishi, porque o radiador do óleo estava tapado com ervas e folhas e a temperatura subiu fora do normal. Estive sempre atento à temperatura da água, que se manteve nos níveis habituais, por isso fui continuando num andamento mais moderado até final”, explicou Carlos Sousa depois da chegada ao parque de assistência, onde os mecânicos colocaram o carro a cem por cento. “Foi só limpar o radiador.”
Kleinschmidt destrona Shinozuka
Nota também importante foi a subida de Jutta Kleinschmidt ao segundo posto, por troca com Kenjiro Shinozuka. O Pajero do japonês ficou enterrado na areia – quando se preparava para iniciar a descida de uma das muitas dunas que a caravana teve de ultrapassar – perdendo 15 minutos. “Shino” caiu para terceiro e só não perdeu mais tempo para os restantes Pajero porque todos furaram uma vez. Kleinschmidt explicou o sucedido: “Eu parei no cimo da duna, e o Hiroshi também, para ver qual seria a melhor trajectória. Mas o ‘Shino’ não parou, foi pela esquerda e como a descida era muito longa ele acabou por se enterrar.”
O Dakar prossegue até domingo e, hoje, com mais uma etapa de deserto puro. Kleinschmidt venceu em 2001 e agora só espera um milagre: “Não acho que seja possível apanhar o Masuoka. Mas no Dakar...”