Ski Náutico: Europeu de jet ski revela jovem talento nacional

Numa resposta há muito esperada, o actual líder do “ranking” nacional mostra o que tem capacidade de fazer num circuito de bóias com a máquina certa. No Europeu de Mirandela foi medalha de bronze na vertente “ski limited”

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A MEDALHA de bronze ganha pelo piloto João Maio, 19 anos, pelo terceiro lugar conquistado no Campeonato da Europa de Jet Ski, classe “ski limited”, no passado domingo, em Mirandela, teve sabor a dupla vitória. Foi como um grito preso na garganta há já quatro anos, tempo em que conquistou quatro títulos nacionais consecutivos e um quarto lugar final no Europeu de 99, “sem qualquer tipo de apoio”. Único atleta da equipa nacional a subir ao pódio transmontano, este alfacinha revelou o segredo do seu sucesso: “Corri as últimas mangas com o ‘jet’ do campeão do mundo, uma máquina emprestada pelo seu mecânico José Barata.”

A participar em corridas há cerca de nove temporadas, João Maio despertou para a adrenalina da velocidade aos quatro anos de idade, altura em que o seu pai lhe deu a primeira motocicleta. Hoje, apesar de cursar Direito, o coração continua a bater com a mesma intensidade de quando deu as primeiras aceleradas ainda sem muita noção do poder (“e riscos”) destes bólides, quer sejam eles “jets” ou motas todo o terreno.

Com uma aptidão natural para a prática desportiva em geral, João Maio rendibiliza o seu lado multifacetado em forma física e habilidade técnica com os “jets”. “O jet ski tem seu componente de risco e a única forma de lidarmos com isto é treinando o máximo possível e fazendo uma corrida como se fosse uma outra sessão de treino.”

O futebol, para o qual reserva um tempo diário, juntamente com o remo e a corrida, colaboram no importante factor da resistência. E os resultados foram surgiram a olhos vistos, pois João alinhou em duas categorias de competição: a “ski super stock” (a Fórmula 1 das motas de água), em que terminou em décimo, apenas dois lugares abaixo do campeão do mundo, o brasileiro naturalizado jugoslavo Lorenzo Zaluski; e a “ski limited”, na qual garantiu o 3º lugar e uma boa parte dos dois mil contos de prémios monetários oferecido aos vencedores.

AS ONDAS DA CAPARICA

Além da boa máquina que teve oportunidade de pilotar, o único medalhado português na segunda prova do Campeonato da Europa de Jet Ski escondeu um importante trunfo na luta pelos lugares cimeiros do circuito de Mirandela, “rápido em si, mas com muita ondulação”: “Tenho de confessar que por treinar na Costa de Caparica, encontrei uma certa facilidade em cumprir este circuito”.

Com a temporada nacional praticamente ultrapassada, e a seu favor, “porque para revalidar o título de campeão só basta finalizar o campeonato”, João concentrará proximamente as suas forças nas duas provas que ainda restam do Europeu - a próxima será em Itália, país que conquistou quatro medalhas de ouro em Mirandela - e no Mundial do Arizona. “Quero lutar por um bom resultado final, mesmo a contar com precárias condições”, afirma à nossa reportagem, assinalando as visíveis desvantagens que tem em relação a pilotos de ponta do “ranking” europeu e mundial: “Existem atletas aqui com camiões totalmente estruturados. Eu só tenho um atrelado e duas motas, uma para treinos e outra para corrida.”

DOIS TALENTOS

Tal como João Maio, também Rui Silva esteve em destaque, com um quarto lugar na classe “runaboat 785 superstock”, falhando o pódio por apenas dois pontos para o finlandês Mikka Bar. Com somente uma mota para fazer treinos e corridas, Rui Silva disse adeus ao terceiro posto, devido a problemas mecânicos na terceira e última manga. “Só tenho um ‘jet’, preciso ficar muito atento e me restringir mais ao trabalho físico, porque na minha categoria o que interessa é andar as 15 voltas do circuito sempre a fundo, sem cair o ritmo.”

Apesar de não se terem sagrado campeões, tanto Rui como João receberam os seus resultados finais como quem conquista uma vitória: “Vi que tenho andamento para os melhores pilotos do mundo”, diz o primeiro. “Sou campeão nacional há quatro anos e por mais estranho que pareça nunca recebi patrocínio de marca”, expôs, por seu lado, João Maio, referindo-se ao público presente no Europeu em Mirandela: “Só mesmo com este apoio espectacular do público é que reuni forças para chegar onde cheguei.”

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