Skoda Fabia é fonte de agradáveis contradições

Adicione como fonte preferencial no Google

A PUBLICIDADE podia muito bem ser assim: imagine um automóvel compacto por fora mas espaçoso no interior; capaz de aliar a agressividade das linhas ao estilo sóbrio dos carros de leste; com elevada qualidade de construção a um preço acessível. Salvaguardadas as devidas distâncias é assim o Fabia, a mais recente proposta da Skoda: uma fonte de irresistíveis contradições entre a razão e emoção.

Com o Fabia, um utilitário de cinco portas, a marca checa procurou mais que encontrar um substituto para o Felicia (que, aliás, continuará a ser produzido). A Skoda deu um salto em frente, apresentando um veículo para o qual reclama uma nova categoria de mercado: o Fabia é mais comprido que a maioria dos concorrentes (incluindo o Polo, da Volkswagen), e possui características únicas no sector.

Depois da apresentação ao público no salão de Frankfurt, os responsáveis checos escolheram o nosso país para darem a conhecer à Imprensa as virtudes do novo Fabia. E pode-se dizer que o colaborante sol algarvio justificou plenamente a decisão.

MARCO "ALEMÃO"

O Fabia pretende constituir um marco na história da Skoda, como o foram, a seu tempo, o Felicia e o Octavia. A evolução rumo a novos mercados e potenciais clientes (ver caixa), sob a batuta da Volkswagen, dita novas políticas, no sentido de uma "germanização" que se reflecte logo no aspecto exterior (ou não fosse a plataforma proveniente da casa de Volfsburg) e se prolonga até ao mais ínfimo pormenor.

O traço sóbrio e robusto dos carros alemães está lá (a traseira e os arcos nas cavas das rodas são tipicamente "volkswagianos"), mas isso é condimentado de forma exemplar pelo aspecto agressivo da frente, no qual as ópticas dianteiras e a tradicional grelha com dístico verde têm papel preponderante.

O Fabia, apesar de seguir a linha do Felicia, cresceu visivelmente em relação ao antecessor. Com um comprimento total de 3,96 metros e uma distância entre eixos de 2462 mm, o maior elogio que se pode fazer é dizer que, quando se entra lá dentro, percebe-se de imediato para onde foi canalizado o espaço extra. "Roubando" preciosos centímetros ao compartimento do motor (montado transversalmente, com esse fim), o Fabia apresenta um dos mais espaçosos habitáculos da classe. A mala, com capacidade para 260 litros, é que não recebeu contributo tão generoso, principalmente para quem, em tempo de férias, costuma levar a "casa às costas".

MOTORES AMIGOS DO AMBIENTE

A nível de propulsores, a Skoda oferece cinco motores a gasolina e dois a diesel, desenvolvidos de base para a plataforma do Fabia. Na fase de lançamento, prevista para Fevereiro de 2000, apenas estarão disponíveis dois motores de 1.4 litros (de 8 e 16 válvulas) a gasolina e um bloco de 1.9 l a diesel.

Num utilitário, as "performances" são, por norma, relegadas para segundo plano, mas o Fabia não se mostra nada diminuído face a veículos de maior cilindrada, principalmente na versão "vitaminada" de 16 v.

A preocupação com o ambiente (ou com as rígidas directivas comunitárias nesta matéria) levou os homens de Mladá Boleslav a não facilitarem, antecipando-se aos regulamentos EU 4 sobre emissões de gases, emanados pela União Europeia, e que só entrarão em vigor em 2005. De realçar ainda a insonorização quase perfeita, só deixando perceber um ligeiro ruído de fundo.

A segurança (activa e passiva) também mereceu particular atenção, com a carroçaria a possuir várias zonas de deformação progressiva. A estrutura do motor, assim como da coluna de direcção, impede a sua penetração no habitáculo em caso de colisão frontal. Os pedais também se retraem, evitando lesões ao nível das pernas do condutor. O depósito possui um dispositivo que impossibilita o derramamento de combustível e, consoante a violência do impacto, a electrónica desliga automaticamente alguns circuitos.

As designações Classic, Comfort e Elegance determinam o nível de equipamento proporcionado pelo Fabia, com o último a assumir-se como topo de gama, disponibilizando pequenos luxos como bancos dianteiros aquecidos, ar condicionado automático e compartimentos refrigerados/aquecidos para a conservação de bebidas e alimentos.

Para já, e apesar de não porem de lado a hipótese, os homens que gerem os destinos da casa checa não equacionam ainda o desenvolvimento de uma carrinha, não obstante a crescente procura por este tipo de veículos. O preço anunciado de dois mil contos para a versão mais modesta, responde na mesma moeda à concorrência (Renault Clio, Peugeot 206, Fiat Punto, Opel Corsa e Ford Fiesta), o que, face aos atributos apresentados, pode ser suficiente para convencer os "jovens casais" que a Skoda elegeu como principais "alvos".

O ESTILO DA SKODA

Os responsáveis da Skoda não têm dúvidas: o lançamento do Fabia constitui uma referência na história recente da marca, um ponto de viragem com vista à conquista de novos mercados e públicos-alvo. A designação encontrada para o definir é também esclarecedora: estilo.

A fazer fé nos dados fornecidos pela marca, esta registou um crescimento no ano passado de 8%, o que permitiu equacionar a possibilidade de expansão do mercado geográfico da Skoda. A aposta mais forte parece incidir na zona asiática, onde os checos não têm ainda grande implantação, e na continuação de um crescimento sustentado no mercado europeu, inquestionavelmente o "habitat natural" da marca.

Desde que a Volkswagem tomou as rédeas da casa checa, as políticas para os lados de Mladá Bolislav mudaram radicalmente. Em 1981, a Skoda era dada como "morta e enterrada", mas, desde essa altura, parece ter renascido das suas próprias cinzas.

O primeiro momento alto surge em 1994, com a apresentação do Felicia, onde a aposta na qualidade era evidente: os Skoda deixavam de ser apenas automóveis baratos. Com o lançamento do Octavia, em 1996, essa aposta ganha novos contornos, operando a passagem entre qualidade e estilo. Uma passagem que se completa com o Fabia, o porta-estandarte da nova imagem da Skoda.

E a verdade é que os checos não se pouparam a esforços para atingir os seus objectivos. Foi desenvolvido um enorme esforço financeiro para pôr de pé uma linha de montagem completamente nova, assente nas últimas tecnologias (de que é exemplo a soldadura a laser), de onde saem, por dia, 1200 Fabia.

Exemplo final de que os homens do emblema verde não estão dispostos a facilitar a vida à concorrência é o investimento, superior a 500 mil contos, levado a cabo no centro de qualidade, por onde passarão todos os Fabia antes de receberem "carta de alforria".

RICARDO CARVALHO

Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
Newsletters RecordReceba gratuitamente no seu email a Newsletter Geral ver exemplo
Ultimas de Motores
Notícias
Notícias Mais Vistas