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O adeus de Nicha
Ex-piloto português morreu aos 86 anos. Apaixonado por carros, ambicionava ser ator
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É o adeus do primeiro português a correr na Fórmula 1. Mário de Araújo Cabral, mais conhecido como ‘Nicha’, faleceu aos 86 anos, no Hospital de São José, em Lisboa, vítima de doença prolongada. A paixonado por carros, era também fascinado pelo mundo das artes e até chegou a confessar o sonho de ser ator. Por outro lado, também tinha talento para a ginástica. Uma lesão no pé afastou-o dos Jogos Olímpicos, mas as mãos, essas, sabiam manejar o volante como poucas.
Partiu para o automobilismo e competiu na prova rainha entre 1959 e 1964. A estreia foi precisamente no Grande Prémio de Portugal, ao comando de um Cooper-Maserati. Entrou, no total, em cinco Grandes Prémios, mas em 1965 apanhou um susto ao sofrer um acidente no GP França, já em Fórmula 2.
“Passei entre as árvores e fui projetado para um monte de silvas e arbustos. Só sei que estava de pé a fundo [...]. Fiz 26 ou 27 fraturas. Uma das costelas perfurou o pulmão”, havia descrito o portuense no livro biográfico, escrito por Adelino Dinis e citado pela Lusa. Conseguiu recuperar e só se retirou das pistas em 1975. A última grande prova foi nas 4 Horas de Jarama, em Espanha.
Foi uma figura importante no desporto português e o Presidente da República não esqueceu o legado. “Marcelo Rebelo de Sousa lamenta a partida daquele que era também um amigo, no final de percurso marcado pela doença e pelo sofrimento”, lê-se na nota da Presidência. À família enlutada, Record endereça sentidas condolências.