Miguel Praia: «Nicky Hayden era um cavalheiro e um atleta exemplar»

Ex-piloto lamenta perda de referência do motociclismo

• Foto:  Pedro Noel da Luz / Record

Miguel Praia foi uma das figuras do desporto motorizado que lamentou a morte de Nicky Hayden. O primeiro piloto português a pontuar no mundial de Superbikes e Supersport, recordou a Record o dia em que conheceu melhor Nicky Hayden.

"Não foi dos pilotos mais populares, nem era o mais carismático do leque apesar do título MotoGP conquistado em 2006. Contudo sempre tive admiração pelo seu profissionalismo e confirmei-o em janeiro deste ano", confessou. "Tive o prazer de o conhecer melhor durante este inverno, na apresentação da nova Honda CBR e confirmei a opinião que tinha dele. Nicky era um cavalheiro, um atleta e um profissional exemplar", frisou.

A verdade é que a época não estava a correr de feição para o piloto Honda que deixou o mundial de Superbikes com um 13.º lugar na geral. Apesar das várias críticas apontadas à equipa por todos, Miguel Praia garante que ‘Kentucky Kid’ sempre teve um postura exemplar, defendendo o construtor que representava.

"Não estava a atravessar um bom momento na carreira, mas isso não o impedia de ser politicamente correto e de defender os interesses da marca e da equipa. É nesses momentos que um bom profissional se revela", garantiu. "Não deixa de ser irónico perdê-lo num acidente de bicicleta. É sem dúvida uma grande perda para o desporto motorizado", atirou Praia que numa fase prematura não sabe ao certo o quanto o desaparecimento de Hayden irá afetar a restante época da competição. Contudo, uma coisa é certa. O mundial perde um "peso pesado" é um dos seus melhores profissionais.

"Desaparece o único piloto com um título MotoGP. No universo SBK era um daqueles nomes que arrastava público, não ao mesmo nível de Valentino Rossi que arrasta multidões no mundial de motociclismo. No entanto, Hayden era uma referência e muito graças à bagagem e resultados que trazia do MotoGP. Apesar de contar com grandes pilotos como Jonathan Rea ou Chaz Davies, o mundial de Superbikes carece de figuras carismáticas como Hayden", sublinhou.

Para terminar, Miguel Praia deixa um recado. "Gostaria que todos nós como utilizadores da estrada, tivéssemos mais respeito com os outros ocupantes, especialmente os ciclistas pela sua fragilidade. Às vezes sinto que os tomam como um obstáculo", confessou o piloto também praticante de ciclismo. "Penso que existe pouca responsabilidade no ato da condução e no final basta uma distração para um simples toque na bicicleta terminar em tragédia", disse, não esquecendo porém que na estrada nem sempre a culpa é de quem está ao volante.

"Em todo o tipo de viaturas há bons e maus condutores e também há o ciclistas que abusam da recente lei do código da estrada que os protege (os automobilistas devem manter uma distância lateral, no mínimo, de 1,5 metros dos velocípedes). O problema é ambivalente e no final acaba por ser uma questão de sorte. Temos de apreender a viver com todos na estrada, com respeito e civismo, pois todos devemos chegar ao destino", concluiu.

Por Alexandra Beny
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