«Este formato do campeonato de MotoGP está a triturar os pilotos física e psicologicamente»

• Foto: MotoGP/Twitter

Joan Mir não esteve no GP da Holanda no fim de semana, nem na Alemanha na semana anterior, por se encontrar a recuperar de lesão sofrida nos treinos em Mugello. O piloto da Honda assistiu em casa ao infortúnio de Marc Márquez, seu companheiro de equipa que nas últimas duas provas do Mundial totalizou sete quedas e acabou por falhar a prova em Assen, devido a problemas físicos. O empresário de Mir, Paco Sánchez, lamenta o que está acontecer com os pilotos da marca japonesa, mas também não isenta a organização do MotoGP de culpas.

"O Joan está a recuperar da lesão e penso que em Silverstone estará a 100 por cento. Animicamente não pode estar contente porque as coisas não estão a correr da forma que esperava. Não sabemos por que é tão difícil encontrar um motivo para a moto não funcionar como ele queria, mas essa é a realidade. De momento não pode pilotar e mostrar com esta moto o talento e a velocidade que tem", admitiu Paco Sánchez, em declarações ao jornal 'As'.

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Mir viu o que sucedeu nas últimas duas provas com Marc Márquez. "Acompanhou os treinos e as corridas e não foi bom ver o Marc cair tantas vezes. Não é uma boa notícia para a Honda nem para ele. O que o Mir quer é que o projeto floresça, que a moto funcione para que ele possa mostrar o seu talento e devolver à Honda a confiança que a marca mostrou nele."

O empresário do campeão do Mundo de 2020 admite que ninguém sabe ao certo o que se passa com a moto. "São vários fatores. Não diria que é uma moto traiçoeira, mas é crítica, já o é há muitos anos. Este ano a Ducati deu um passo de gigante, com soluções que os outros ainda não encontraram. As suas motos estão a dominar o campeonato, que se converteu numa Taça Ducati. Neste momento, a moto está muito acima do piloto. Antes o binómio piloto-moto era de 70-30, mas agora é 40-60 ou 30-70."

E prosseguiu, apontando o dedo à organização do Mundial. "E há outro fator que não nos podemos esquecer. Este formato está a triturar os pilotos física e psicologicamente. Posso falar do Pol [Espargaró], do [Miguel] Oliveira ou do [Enea] Bastianini, que não pilotam Honda mas que estiveram ou estão em casa por lesão, devido ao stress da nova fórmula, que faz com que os pilotos estejam desde o primeiro minuto debaixo de uma pressão tremenda. As estatísticas estão aí, não é apenas um pensamento, é a realidade. Juntas o formato do campeonato, o número de quedas e o facto de a Honda ser uma moto crítica, o resultado é uma catástrofe para nós."

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Por Record
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